quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Vou fazer-te uma pergunta...

...que me fizeste há bem pouco tempo atrás: diz-me o porquê desta dor que não passa.
Não passa. E o teu olhar está mesmo aqui à minha frente. E eu choro enquanto te vejo olhar ternamente para mim, a sorrir. E choro enquanto o meu corpo se desfaz numa súplica dolorosa que te possa trazer a felicidade que sinto que mereces. E choro também enquanto me iludo conscientemente, querendo convencer-me que essa felicidade que desejo para ti possa ser, toda ela, partilhada comigo.

A lua está fria. E distante. Tudo está longe de mim. Tenho medo. Tanto medo de deixar que a vida continue a magoar-me. Não me dizes uma palavra. Nada para apaziguar um pouco esta tempestade que destrói tudo dentro e fora de mim. Tenho frio. E choro lágrimas quentes que me queimam a cara e que chamam por ti. Tenho vontade de gritar mas não o faço. Ainda há uma parte de mim que teme a loucura.

O ar vai ficando mais pesado porque o tempo não passa. Há coisas a começar e a acabar, neste exacto instante, vidas e sonhos, e ondas do mar e estrelas, e palavras e encontros... E eu estou aqui parada. Não sei se à espera que algo comece ou acabe em mim. E o mundo chega-me como um estranho que não convidei para minha casa. E em todos os gestos, meus e dos outros, parece-me ver uma despedida...

29 comentários:

João Garcia Barreto disse...

Isto da blogosfera, traz-nos coisas inauditas, como o texto que tive o prazer de ler aqui. O meu blog nasce dos poemas das canções que componho e histórias que invento sem cessar. Se quiseres, poderás encontrar esses poemas refugiados nos arquivos do meu perene espaço.

João Garcia Barreto

reverse disse...

Tens que deixar de ter medo da vida. Ela magoa-nos por vezes, mas a dôr vai passar. Tudo passa.
Não podemos deixar que a dôr se instale em nós, não podemos deixar que aquele nó na garganta se avolume e tome conta de nós inteiras. Há que acordar amanhã e olhar o sol e o céu com outros olhos - com uns olhos mais abertos - olhando a Vida de frente, recusando as mágoas e as desilusões antigas que já criaram raízes em ti.
Um beijo e dorme bem.

Rosebud disse...

Sabemos que a dor, como tudo, tem prazo de validade, mas há momentos em que sentimos que essa dor e a tristeza que a acompanha não são um mero momento, sentimos que já se entranharam de tal modo que passaram a definir-nos os contornos, a ser parte do que somos e do que seremos. Acredito que é assim. Um dia realmente a sensação mais superficial da dor vai passar, mas sem deixar de fazer parte de ti. A única atitude possível é aceitar e aprender com o que a dor fez na nossa vida e com aquilo que fizemos da nossa vida em momentos de dor.
Quando dói mais, sabemos que vai passar mas não é isso que queremos ouvir. Sabemos que não podemos ter medo da vida mas não é isso que queremos que nos digam. Queremos apenas que alguém páre ao nosso lado. Com empatia e simpatia. A ver as coisas começar e acabar...
Espero que possas sentir algum conforto naqueles que aqui te lêem.
Beijinho*

jctp disse...

It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
There's a cure
And you have finally found it
You think
One drink
Will shrink you 'til you're underground
And living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
So just...give up

Aimee Mann

Give up and don't give up at the same time, Cláudia.

Muse disse...

Quando leio palavras como as tuas, sou transportado para momentos da minha vida q estão marcados no meu coração, momentos q estão "esquecidos" mas q por vezes surge um catalizador q os trás de volta, catalizador esse q encontro em mtas das tuas palavras...

oq te posso dizer para te "sossegar" é q não te vais sentir sempre assim,

"tudo se resolve... pode não ser como queremos mas tudo se resolve, não é o fim do mundo!"

Palavras ditas há não mto tempo pelo meu Pai e que na altura entram a 100 e saem a 1000, mas q deixam uma restia no cerebro q as vai assimilando e qd as relamente "ouvimos", sabemos q são verdade!!

Um Beijinho Cláudia!!!

vero disse...

Por vezes temos a sensação k a dor nunca nos abandonará, n é? chega aum ponto em k o sofrimento, a desilusão, o desgosto a tristeza são tão grandes k parecem kerek fundir-se na nossa alma...
só agora tive conhecimento do teu blog, dei uma vista de olhos e gostei mto. És bem-vinda nos meus momentos de evasão!
Bjs, e tudo de bom p ti!
:)

requiescatinpacem disse...

Fiquei deprimido!!!..... não gostei mesmo nada.

AS disse...

Cláudia,

Todos temos fases da nossa vida em que o mundo parece que desaba sobre nós! Isso não acontece só contigo. É claro que esses momentos custam sempre alguma angústia e desilusão, mas nunca nos devemos deixar submergir por elas...
Lembra-te que depois de uma tempestade, o sol acaba sempre por ressurgir com mais intensidade

Um beijo para ti...

Paulo Ribeiro disse...

Gostei de ler pois identifico-me com o que escreveste.

soniaq disse...

Ainda agora cheguei e gostei muito do que escreves, quando as emoções são verdadeiras tornam-se um pouco nossas, a vida e tudo o que ela transporta tem dor, mas às vezes há coisas muito boas no caminho e é por isso que cá estamos.
um bejinho
sona

Carlos Sampaio disse...

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer
ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

andorinha disse...

Tal como disse a Rosebud, a dor, tal como tudo, tem prazo de validade. Quando menos esperares ela vai-se embora. Não podes ficar ancorada nela, há uma vida à tua espera para ser vivida.
Empatia e simpatia encontras aqui neste teu cantinho.
Never give up!
Um beijinho.:)

Pólux disse...

Vou fazer-te uma pergunta…

…que me fizeste há bem pouco tempo atrás:
diz-me o porquê desta dor que não passa.
Não passa.
E o teu olhar
está mesmo aqui à minha frente.
E eu choro enquanto te vejo olhar
ternamente para mim, a sorrir.
E choro enquanto o meu corpo
se desfaz numa súplica dolorosa
que te possa trazer a felicidade
que sinto que mereces.
E choro também
enquanto me iludo conscientemente,
querendo convencer-me
que essa felicidade que desejo para ti
possa ser, toda ela, partilhada comigo.

A lua está fria.
E distante.
Tudo está longe de mim.
Tenho medo.
Tanto medo de deixar
que a vida continue a magoar-me.
Não me dizes uma palavra.
Nada para apaziguar
um pouco esta tempestade
que destrói tudo
dentro e fora de mim.
Tenho frio.
E choro lágrimas quentes
que me queimam a cara
e que chamam por ti.
Tenho vontade de gritar
mas não o faço.
Ainda há uma parte de mim
que teme a loucura.

O ar vai ficando mais pesado
porque o tempo não passa.
Há coisas a começar e a acabar,
neste exacto instante,
vidas e sonhos,
e ondas do mar e estrelas,
e palavras e encontros...
E eu estou aqui parada.
Não sei se à espera
que algo comece ou acabe em mim.
E o mundo chega-me como um estranho
que não convidei para minha casa.
E em todos os gestos,
meus e dos outros,
parece-me ver uma despedida...


Cláudia


-o-

Belo poema!
Espero que não fiques triste comigo pela configuração que me permiti dar à tua prosa poética.

‘jinho,

Pólux

Vagabundo disse...

É perturbador este teu texto, mas ao mesmo tempo fascinante.
Não fiques parada amiga,tudo começa em nós, até os sonhos e as ilusões.
Bjs
Vagabundo

Alma Azul disse...

Talvez se não tentares tanto saber o porquê dessa dor e focares a tua atenção em algo que ames fazer ela passe mais rápido...
Vive um dia de cada vez e sempre com um sorriso enorme!!
bj

Sozinho... disse...

Um sorriso primeiro, depois um passo em frente, depois uma vontade de soltar as "amarras", e por fim o afastamento...
Dói muito cada uma destas etapas, mas tem força porque certamente a dor que agora te trás será no futuro apagada por uma agradável lembrança de uma parte da tua vida!
:)

Beijinho

Estou feliz disse...

Cláudia,
Já não é a primeira vez que por aqui passo, mas nunca tinha comentado. porém hoje, não resisti a fazê-lo.
Senti-me nas tuas palavras...
Também não sei a solução para este sofrimento... mas passa com toda a certeza por mantermos a calma, não deixar o desespero tomar conta de nós e lutar.... lutar sempre por aquilo que queremos... enquanto tivermos a certeza de que queremos.
Vou concerteza voltar. Fica bem.

eva jasmim disse...

Muito saboroso ler o que escreves!

Delírio da Loirinha disse...

Ola Claudia!
Obrigada pelas tuas palavras!
Aproveitei para te vir fazer uma visitinha e para te desejar um bom fim de semana...
Deixo-te um sorriso :)
Delirio da loirinha

sonhos sonhados disse...

Keridos Amigos

As férias terminaram...
...assim como um muro de areia
se desfaz... frente a uma onda... mais ousada.

o tempo passou
sem horários...
livre...
repousante...
um pouco dorido...
e
guloso.

não foram as melhores férias
...pois a saúde falhou um pouco
e
não ajudou
como deveria,
porém foi tão bom
estar junto dos meus deuses
que até o tratamento me pareceu mais leve.

devo dizer-vos
que senti saudades
das palavras
dos desenhos
das músicas
das imagens
a que todos vocês me habituaram
(principalmente
quando era castigada
pela imobilidade da medicação)
...mas...
para o ano
levarei comigo um portátil
que irei ganhar no euro-milhões...
... por esse motivo vou desde já começar
a lançar a sorte
e escolher os números.

Keridos
tudo isto para vos dizer
que não vos esqueci
e
para avisar
que a partir de hoje
vou perder
muitas horas gulosas...
a “fazer visitas”.

Beijux létinha.

Ps. desculpem ter usado a mesma
mensagem para todos...
mas não foi possível “personalizar”
.....................................
obrigada pelo “perdão”
.....................................
sois uns amores.

elsa disse...

Vir ao teu blog é uma experiência deprimente que projecto não repetir. Uma mulher que passa os dias a ganir como uma cadela abandonada só me faz pensar no fúteis que algumas mulheres (ainda) são. Já tinhas casamento marcado era? Que peninha, e não te devolveram o depósito da quinta foi? Oh... mas passar este tempo todo a lamuriares-te é simplesmente ridículo, larga o Xanax e o Medipax e arranja um emprego em full-time sff

Nina disse...

Olá :)

Vejo k n estás a passar uma boa fase mas n te "afundes" nesse problema...levanta a cabeça e segue em frente, tenho a certeza k dentro de ti existe força suficiente.

Um beijo e um sorriso :)

Daniel Aladiah disse...

Querida Cláudia
Quisera enxugar-te as lágrimas... não gosto de ver assim sofrer. Não tens uma reserva de optimismo? Sabes que o medo, o achar que tudo corre mal ou que não somos capazes, é o pior que pode acontecer na nossa vida, porque a prende a fantasmas que só existem na nossa imaginação. Liberta-te para o que a vida ainda tem para te dar...
Um beijo
Daniel

Pólux disse...

Para Elsa:

É-me sempre penoso ler mensagens do teor da tua. Comentários agrestes e hostis não aproveitam a ninguém, principalmente quando absolutamente inadequados e injustos. Há que respeitar os outros para que sejamos, também, respeitados.

De resto, cada qual adopta na escrita o estilo que muito bem entender. E o da Cláudia prima por ser um estilo preciso e elegante, diria mesmo ático, pois que transmite em poucas palavras tudo o que lhe vai na alma, no coração, ou, como diria Pessoa no seu poema “Isto”, na sua imaginação. Há que respeitá-la, quer seja de alma, coração ou imaginação o que aqui nos trás.

Fica bem.
Pólux





Isto


Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!


Fernando Pessoa


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

André Domingues disse...

a sensação de inacabamento: "uma desorganização profunda" (Clarice) arestas à vista...

alfinete de peito disse...

O assumir de posição provoca o medo do possível vazio... mas o vazio embora sentido é também construído. É melhor uma má decisão que uma não-decisão. A escolha é já a seguir.

Temos dito

Mercador e Grizo

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Anónimo disse...

Ola, gostava de saber se este poema é da tua autoria, axo-o mto bonito.

Anónimo disse...

bom comeco