quinta-feira, 25 de junho de 2009

Slow Motion




Respiro em câmara lenta.
Assim acelero a forma como o mundo me chega.
Mas absorvo-o devagar.
Prolongo a onda na sua curva perfeita antes da sua igualmente perfeita rendição.
E só depois desço as pálpebras.
Rapidamente, para que dentro de mim, o ondular desse estranho mar permaneça lento. Uma espécie de eternidade que falsamente fabrico para que o que acontece dure mais. O que existe, exista mais.

Em câmara lenta às vezes até a tristeza me faz sorrir.
Em câmara lenta apercebo-me de como afinal a rua está vazia.
A rua está muito mais vazia hoje.
...
...
...
Visto o casaco e adormeço. Ou morro.
Sempre a mesma dúvida.
...
...


10 comentários:

Anónimo disse...

uqe bom que voltou... esta com saudades... bjs dudu.

Phantom disse...

Genial. Desta vez não há mesmo mais nada que se possa dizer do teu texto.
Genial.

JL disse...

Gaia. Mercure, Novotel, Melia... Fico muito por lá em trabalho. E é de onde o Porto me parece mais bonito, desde o cais da tua cidade. Bonitas as tuas palavras. Beijo.

RAM disse...

"Respiro em câmara lenta.
Assim acelero a forma como o mundo me chega."

Belissima antitese!

Pedro Branco disse...

Não sei da velocidade que me faz morrer e renascer todos os dias...

Rosa disse...

Beijos para ti :)*

Rebirth disse...

What does it mean... to be a spy in the house of love? Will you not share it with me?

Best wishes...

Daniel Aladiah disse...

Querida Cláudia
Belo texto de reflexão poética sobre o que te é emanescente... no fim a dúvida, mas haverá certezas?
Um beijo
Daniel

nuvem disse...

Gostei imenso deste teu texto. É sempre um prazer voar até aqui.

Beijos

Sara S. disse...

Talvez conheça um pouco dessa sensação descrita no texto, mas mesmo que não conheça totalmente, as palavras espelham tão bem essa sensação e sentimento que eu própria o passo a sentir ao ler cada linha. Quanto às opções finais acho que é sempre preferível o adormecer. Sempre podemos acordar para um novo amanhã :) beijinhos