segunda-feira, 25 de julho de 2005

Se eu pudesse ser outra pessoa escreveria assim para ti

É estranho estar neste sítio sem ter a minha mão entrelaçada na tua. Quase como se este cenário não pudesse existir a não ser para nós. Como se no fundo viesse sempre à espera de nos rever, de nos voltar a encontrar...nem que seja só noutras mãos que se entrelaçam...

Tu não estás aqui.
Eu sei.
Mas não quero ter que saber isso.
Não quero saber que não estás aqui.

As coisas estão impregnadas de tristeza. E as notas da "Sonata ao Luar" são um adeus demasiado longo, demasiado lento...

Olho com atenção e é o meu corpo nu a abraçar o vazio que ficou no teu lugar.
Hoje acordei sozinha. Mais uma vez. Como acordo todos os dias. Mas hoje reparei nisso. Lembrei-me, e ao tomar consciência, acordei muito mais sozinha. E esse meu pensamento fez eco nas paredes do quarto, devolvendo-me o som da solidão...

19 comentários:

AS disse...

Cláudia... Existe sempre uma sensação de desconforto e vazio quando nos sentimos sós... mas nunca devemos deixar submergir por esse turbilhão de emoções que ecoam nas paredes do quarto!... Abre a janela e repara quanto existe lá fora para ser vivido!...

Um grande abraço

Anónimo disse...

Menina Clàudia lembre-se a vida são dois dias e hoje já esta a passar e so falta o amanhã por isso deixe o seu quarto e vá descobrir o que lhe falta para preencher o seu vazio, a solidão não existe nos é que a criamos na nossa mente,porque temos medo de sofre, lembra-te amar é sofre, amar é dor e alegria. Não podemos fugir da realidade mas temos de aprender a amar de outra maneira.

beijos e um abraço
do teu amigo que adora-te

Cláudia disse...

Frog e amigo anónimo,

obrigada! :)

dulce disse...

"Ao bout du chagrin, il-y-a toujours une fenêtre ouverte, une fenêtre eclairée". Paul Eluard.
Às vezes é preciso levantar bem a cabeça para ver a luz dessa janela. Ela está lá à tua espera.
Dulce

RAM disse...

há dias em que acordamos e percebemos tudo
o recorte das cidades no horizonte
a distância que há nos caminhos que rasgam os corações
como se fossem searas de trigo
o nome de certas coisas que só sentimos num abraço

depois percorremos a mão pelo granito
como se fossemos o tempo
e como se a vida não fosse mais do que uma claridade
que invade pela frincha da porta o quarto escuro

é então que descobrimos
num desses rostos com que cruzamos o olhar
que a vida podia ser outra
e que seríamos felizes num outro sorriso
se lhe entregássemos inteiros os nossos lábios

há dias assim
em que acordamos e percebemos tudo
como se tudo nos estivesse imensamente próximo
como se cada dia nascesse e morresse num abraço
como se a vida coubesse num poema


José Rui Teixeira

Rosebud disse...

não estás sozinha :)

Vagabundo disse...

As vidas são feitas de tudo...
Obg pela visita, podes contar com as Vagabundices

andorinha disse...

O ram pelas palavras de José Rui Teixeira e a rosebud já disseram tudo.
Não estás, não.:)

escrevinhador disse...

Deixa-me dizer que compreendo perfeitamente, até por experiência pessoal, o último parágrafo deste texto. Quando isso acontece, comentá-lo seria supérfulo. Saudações!

ju-sza@hotmail.com disse...

(continuo sem acentuacao)
A realidade pode ser fatal.
Solidao eh um estado de espirito, nao uma situacao real.
As vezes acordo-me sozinha ao lado de quem mais amo.
Fico feliz de saber que amanha eh outro dia e posso sentir-me, mesmo que virtual ou enganosamente rodeada por pessoas que me querem bem.

Bom, Claudia, muito obrigada por sua visita em meu blogue, a reciprocidade de voltar eh mais do que verdadeira, e prometo que da proxima vez que vier, estarei acessando de casa e com acentuacao.

Ritinha disse...

Não te deixes cair no manto negro da solidão linda. Acredita...

beijo grande
fica bem

Daniel Aladiah disse...

olá, Cláudia
A mão entrelaçada é um pormenor muito esquecido...
Um beijo
Daniel

chapa disse...

tens que tratar rapidamente dessa solidão que te está a consumir.

Muse disse...

Olá cláudia...

Achei este texto simplesmente lindo, triste mas lindo!!!
Identifico-me bastante com ele, por experiência própria, já o senti mto mais, mas há sempre aqueles dias mais "negros" em q não há forma de evitar sentir assim!!!

um beijinho!!!

PrincepeLunatico disse...

abraços a um vazio adeado, ao som da sonata mais bela e triste que conheço e na presença de uma multidão impávida ao seu proprio sentimento. Cada palavra que li senti. Obrigado por me fazeres sentir que a dor que sinto não é única neste mundo.

sonho disse...

Olá Claudia...
Parabéns pelo blog! Está muito bonito!
Esta foi a primeira de muitas visitas ao teu cantinho.
Parece que a dor que sentimos é a mesma...

Beijinho

peculi disse...

é mesmo lixado :( mas temos que nos aguentar à tona num turbilhão de sentimentos, onde impera a solidão, perda, desalento, etc.. como o fazer? n tengo ni idea! *

Paulo Ribeiro disse...

Saber que algures existe alguém capaz de descrever os meus próprios sentimentos mais íntimos desta forma é já alguma companhia. Não a necessária mas a possível.

Anónimo disse...

com o coracao aos saltos
pego no telefone
esperando ouvir a tua voz
eu sei que vai ser em vao
porque ouvir a tua voz
nao esta na fala
mas sim no coracao