segunda-feira, 13 de dezembro de 2010




Somos todos casas assombradas.

Pelas desilusões, pelas palavras que não soubemos ouvir ou que não conseguimos dizer, pelos amores vividos e pelos que ficaram por viver.
Somos casas com janelas de vidros embaciados pelas tristezas. De mobília poeirenta onde, ao passar os dedos, se vislumbram as marcas e o brilho que antes tinham os sonhos agora desfeitos.

Temos candelabros baços no lugar dos olhos cansados de acender e apagar os dias.
E as portas rangem de saudade... de dor. São o lamento, o arrependimento que não ousamos confessar a ninguém.
E há gavetas entreabertas com sorrisos esquecidos. Tantos sorrisos que ficaram por chorar.

Somos todos casas assombradas.
Não pela morte.
Pela vida.


15 comentários:

Carlos disse...

ABSOLUTAMENTE FANTÁSTICO.

Arrepiei-me ao ler.

Joao disse...

Somos todos tempestades de areias que nunca acabam ...

JL disse...

Somos.

Sara S. disse...

De facto somos, mas se deixarmos entrar a luz, talvez tudo pareça melhor.
Adorei a perfeição da descrição.
Beijinhos

José disse...

Também Eu aqui estou nesta assombração! Estagnado, a ver passar a vida lá fora, por estas vidraças que me enclausuram. Uma história igual à tua e a mais uns poucos. Hoje lembrei-me de ti e entrei na tua casa. Um beijo e um melhor Ano.

Anónimo disse...

passo para te desejar um magnífico 2011, querida Cláudia.
e parabenizar-te novamente pela tua escrita. há algo de cristalino nela.

fica bem. beijinho imenso para ti.

(raquel)

Daniel Aladiah disse...

Querida Cláudia
Todos temos os nossos fantasmas, é verdade. mas já experimentaste brincar com eles? A vida acontece, apesar de nós. Temos de entrar nela e seguir a onda, contribuindo para a formatar, também, a nosso gosto.
Um beijo
Daniel

sindro disse...

Oi Adorei o seu blog, passe lá no meu blog de textos, obrigado, beijo.

Anónimo disse...

Cláudia, os teus textos são escritos de uma forma tão verdadeira e intensa, que me remete para a minha própria realidade. As tuas palavras, são tuas... mas parecem querer ser ditas por qualquer um de nós! Já leio o blog há mais de um ano... nunca deixei nenhum comentário. Apeteceu hoje limpar o meu vidro embaciado e dar-te os parabéns! :)
AB

CLÁUDIA disse...

Obrigada. :)

José María Souza Costa disse...

Passei aqui lendo o que tem pra ler. E observando o que tem para observar. E Exaltando o que tem de ser Exaltado. Estou lhe desejando um Tempo de Harmonia e de muita Inspiração. Entendo ter um blogue Agradavel, muito bom e Interessante. Eu, também tenho um. Muito Simplório por sinal. E estou lhe Convidando a Visitá-lo e, mais. Se possivel Seguirmos juntos por eles. Estarei Muito Grato esperando por Você lá.
Abraços de verdade e, fique com DEUS

Gui disse...

Como entendo as tuas palavras, Obrigada por as partilhares!

Pereirinha disse...

As palavras escritas são o espelho da alma! Bem aventurados os que assim como tu escrevem musica para todos nós. Parabéns

Procuramos nas palavras a cura... tentamos e voltamos a tentar!

minhoquinha disse...

Porque há paredes pintadas de vazio...

«Sabes, quem não acredita em Deus,
acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das
pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das
estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para
sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para
sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos
através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e
interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem
principio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca
traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de
longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma
quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo.
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas
nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo
caminham todos os mortos que amei, todo os amigos que se afastaram, todos os
dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia
ser meu para sempre»
Miguel Sousa Tavares

CLÁUDIA disse...

:)

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