domingo, 29 de janeiro de 2006

Consegues ouvir quando as minhas mãos chamam por ti?



O tempo tem passado muito depressa e faz-me confusão que tu não passes com ele. Porque já são tantas as noites em que não estás aqui. E mesmo assim parece ser só o tempo que continua a passar...

Não me importa mais que a luz não acenda. Esse não foi nunca obstáculo para que não me visses. Também não me importa que a noite seja fria. Porque me debato com o outro frio. Aquele que está dentro de mim e cruelmente se faz sentir, mas que insiste em não me abandonar. Talvez vingança do tempo em que lutei para te afastar...

É em momentos como este que as minhas mãos se apoderam de tudo o que sou. E escrevendo, chamam por ti. Gritam o teu nome em gestos desajeitados enquanto percorrem freneticamente as letras que vão preenchendo este espaço branco. Como se as pudesses ouvir assim. Como se toda a esperança terminasse no próximo ponto final... Como se toda a possibilidade acabasse exactamente aqui.


(Mas diz-me, consegues ouvir quando as minhas mãos chamam por ti?...)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

How many more times?



Hoje, cada vez que quero estar comigo, tenho que fazer um grande esforço para me encontrar. Estou muito longe e estou perdida no palco, no cenário, e no meio de um acto que fui eu própria que criei.

Mas acabo por me encontrar... Estou deitada na minha cama, com o olhar embaciado pela tua imagem, a desejar com todas as minhas forças que te lembres tanto de mim como eu de ti. Estou a desejar que tenhas mais saudades minhas do que de qualquer outra coisa.

Quero que penses na minha voz.
Quero que sintas o meu pensamento.
Quero que te lembres dos meus lábios e que, ao fechares os olhos, encontres a minha boca e a humidade quente dos meus beijos. E quero que sorrias com malícia por teres gostado...
Quero que penses em momentos nossos.
Nas palavras.
No prazer.
Nos sons.
No render...

Quero que te perguntes se as minhas pernas enlaçadas à volta do teu corpo são uma promessa de união momentânea ou se, às vezes, somos um rio e um mar...

És a minha maior sorte. És o meu maior azar. "...Cause you know sometimes words have two meanings..."

domingo, 8 de janeiro de 2006



Esta noite estrangulei o medo que tenho de te ver ir embora.

Melhor dizendo, foi o medo que tenho de te ver ir embora que me estrangulou a mim.

Devagarinho, roubou-me o ar e a serenidade infantil e quase inconsciente de ir respirando.