segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Noites Velhas



Noites mornas e ternas.
Deu-se absolutamente tudo o que havia para dar.
Não ficou nada por dizer.
Excepto o que nasceu depois.
Muitas noites sem rumo, muitos gritos da alma que se afundavam na realidade que não podíamos nem sabíamos mais combater.
Noites em que nos perdíamos e nos reencontrávamos vezes sem conta.
Só porque era bom.
Só porque era muito difícil ficar sempre.

48 comentários:

Anónimo disse...

pareces mais solta... será?

Paulo Pisco disse...

Terna é a noite...

reverse disse...

A fotografia está espectacular. Das tuas palavras não é preciso falar :-)
Bjs.

AS disse...

Cláudia, as noites não envelhecem... apenas duram até que surja o sol!...

Um beijo grande

AJFRM disse...

Dá Tempo à Tua Vocação

Nunca dês ouvidos àqueles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspirações. Tu bem sabes qual é a tua vocação, pois a sentes exercer pressão sobre ti. E, se a atraiçoas, é a ti que desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se fará lentamente, pois ela é nascimento de árvore e não descoberta de uma fórmula. O tempo é que desempenha o papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha difícil. Porque o ser novo, que é unidade libertada no meio da confusão das coisas, não se te impõe como a solução de um enigma, mas como um apaziguamento dos litígios e uma cura dos ferimentos. E só virás a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu tão útil ao homem como o silêncio e a lentidão. Por isso os tenho honrado sempre como deuses por demais esquecidos.

Antoine de Saint-Exupéry, in 'Cidadela'

AJFRM disse...

Não são as Circunstâncias que Decidem a Nossa Vida


A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as históricamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino.

Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem mum só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.

É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'

Veritas Verum disse...

Nunca havia lido nada assim sobre um fim.
Que simples, mas tao belo...
Obrigado

Veritas Verum disse...

Sim, li novamente... maravilhosamente belo!

AJFRM disse...

Por isso mesmo, nao pares, nao percas mais tempo a tentar refazer o passado.

Vive a Tua Vida, pois é essa q interessa.
Dá-lhe ar,
deixa-a respirar o ar lá fora.

E verás q cada dia trará um brilho mais para esses lindos olhos, q emolduram tão lindo rosto.

Pas de regrets.

Acredita...

Acredita!

vero disse...

Ao entrar no meu blog deparei-me com a quantidade de comentários carinhosos que aqui deixaram… e que me emocionaram, e agradeço-vos de coração o carinho e apoio que me deram! Pois essa força e esse carinho fizeram com k eu levantasse a cabeça e pensasse k felizmente não estou só! Por isso vou fazer os possíveis e vou tentar da melhor maneira ignorar os comentários maldosos (obscenos, melhor dizendo…) que ele tem deixado no meu blog.
A todos um muito obrigada pela força e pelo carinho!
Beijinhos de coração*

Anónimo disse...

Olá Claudia. Sou eu Elizabeth. Adorei o que escreveu no dia 20 de Setembro terça feira. Simplesmente adorei, porque consigo rever-me tambem .

Winters disse...

Olá Claudia,
Visitei o teu Blog hoje pela primeira vez, e gostei, gostei dos textos, gostei da imagem, acho que deves continuar com as imagens, sempre ajudam a dar um sentido mais forte ao texto!!!
Parabéns.

José disse...

A foto é deveras espectacular... os textos, são mais que belos...
Continua a extasiarmos com as tuas palavras,Cláudia.
Bjs

Neith disse...

Um texto magnifico, uma foto qe lhe dá todo o sentio...combinação perfeita!! Beijinhos :)

Rosa disse...

"Para sempre" é tanto tempo...

Ema disse...

Como te entendo... : )
Noites Velhas que são Novas em nós... Como um feitiço...

Um beijo. Imenso.

dulce disse...

Um poema lindo e uma fotografia admirável.
Bjs.

vero disse...

Como te entendo...:)
Beijos*

Bit For Delight disse...

Mto lindo..sentido e envolvente!!

bjinhos

Veritas Verum disse...

E vim ler novamente... nunca havia lido melhor descrição sobre o fim de uma relação... Algo tão brutalmente calmo, mas assertivo, asseptico, assentido e certeiro.
É daqueles poemas que quando o lemos desejamos têlo escrito, perdoe-me a inveja.

Veritas Verum disse...

Escrevi no meu blog um poema pra si, apeteceu-me faze-lo.
Abraço

Cláudia disse...

veritas verum,

agradeço-lhe imenso a amabilidade das palavras. Fui ao seu blog e deixei-lhe comentário mais alargado.

Fique bem e volte sempre. ***

Vampiria disse...

Profundo e solto, muito solto, toca nos a alma...um beijo

Blue C. disse...

Viva!! Passei para te deixar um beijinho. tenho andado em mudanças interiores e essa demoram mais que as físicas. E são bem mais exigentes, apesar de simples. Beijoquinha grande

Maria disse...

Muito cheio de muita coisa que "não há"... Que não existe na real realidade palpável do dia a dia. Mas que está sempre lá. sentimos mas não sabemos onde nem como explicar sem recorrer a palavras que nos vêm da alma e a imagens que nos inspiram a vida...
Obrigada por este momento que nos proporcionaste.

Chocolate disse...

Muito bom de ler.
Imagino que não tão bom de sentir...

Gosto mesmo muito da forma como escreves.

Anónimo disse...

Sabes Claudia, quando se sofre por demais, é porque a felicidades foi imensa. Guarda-a dentro de ti, e não permitas que o menos bom apage o fantastico...

" Não choro por ter perdido, sorrio por ter tido...."

zita

Alma Azul disse...

Que bom que não ficou nada por dizer... o que nos mói é o que fica cá dentro por dizer.
um beijo enorme

Nostalgia infinita... disse...

Gostei...simples mas belo com palavras fortes a expor sentimentos que nos despertam a imaginação...


joao vidal

Al disse...

só porque era bom...
há-de voltar a ser, porque não sei de outra maneira.

*é tudo tão lindo aqui.
... e o luar... se não fosse difícil ficar para sempre,
ficava,
porque é tudo tão bom.

Um Olhar Sobre... disse...

Olá,

Já tanta coisa foi dita pela beleza deste poema, que falar sobre ele era apenas repetir-me. Por isso vou confessar que me arrepiou e muito.
Um beijo

MRA disse...

Que o amor seja eterno enquanto dure...

Um beijinho!

alexandre dale disse...

Disseram-me uma vez:
“Um homem pode sempre fugir, seja lá do que for, mas nunca esconder-se”.
Ao que contrapus:
“Ou então pode sempre esconder-se, seja lá do que for, mas nunca fugir”.

vero disse...

Nunca é tarde Claudia... nunca é tarde!!!Concordo contigo...
Beijinhos***

Pólux disse...

Belo, o que nos trazes!


Terna é a noite. Terna a verdade partilhada à luz bruxuleante de uma vela. Ternos os momentos que medeiam entre o véspero e a alvorada, quando esta é uma sinfonia harmoniosa de sons de pássaros e de cores por entre o agasalho das nuvens e a brisa incerta que atravessa a penumbra das árvores. Terno o amor, esse abismo cravejado de mil distâncias, que nasce e medra no profundo de nós mesmos, e que faz com que não saibamos bem onde nos encontramos.

Beijos.

andorinha disse...

Olá!

Belo! Gostei imenso. Ler-te é sempre um prazer.
Beijinho.:)

jctp disse...
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Veritas Verum disse...

Obrigado pelas palavras que sempre deixas...
Abraço

Vitor Monteiro disse...

bonito...muito bonito!!!!
Que esses momentos sejam fonte de inspiração e de força para não deixares o "nascer depois" tomar conta de ti e levar-te por rumos que não queres...a apredisagem é algo muito importante...com ela aprendemos a saber estar e a saber precaver de situações futuras para que estas não tomem as rédas da nossa vida...

BJS*****

Daniel Aladiah disse...

Querida Cláudia
Sim, é à noite que se sente mais a solidão e a perda. Mas também é muitas vezes à noite que conseguimos encontrar sentido para as coisas que acontecem de dia. E tudo o que é bom sempre acaba... adoro contrariar isso, mas nem tudo está nas nossas mãos.
Um beijo
Daniel

Vagabundo disse...

Passei pra deixar um bj de BFS.

Vagabundo

Paulo Ribeiro disse...

A saudade desenhada a contornos doces.

Veritas Verum disse...

Um Bom fim de semana para a Claudia também, sem dores de lua..... :-)

obscenidades disse...

isto é para a VERO - sabes qual é o teu problema? o teu problema é falta de auto-estima (tb um problema de falta de segurança) Uma questão pertinente é: para que é que serve um problema desses? Para chamar a atenção, é como os bebés, são carenciados, chamam as atenções, portanto há uma estratégia oculta nesse teu problema, embora seja claramente exajerado! O problema da Claudia é diferente. Tb chama as atenções, certamente, mas (aparentemente) representa mais um estado transitório. Até porque no caso concreto da Claúdia, não me parece que haja um background (pano de fundo) que permita outro tipo de soluções...

Frankenduo disse...

Tenho aqui um cd da «Jewel», «pieces of you». Há uma canção que se chama «Adrian». É a maior seca de canção que ouvi em toda a minha vida (posso estar a exajerar um bocado, ou talvez não). Alias, creio que a própria vocalista devia estar com uns problemas existências para se pôr a cantar aquelas... Tem de facto uma voz bonita, só que não me sabe a nada - algo que só me apercebi depois de o ter comprado. Depois de ouvir uma canção como «Adrian» recomenda-se um antidoto estilo "Big in Japan" ou "Open your eyes", Guano Apes. Que é para «enterrar» o Adrian de uma vez por todas! Oooh, she's sensitive*

Anónimo disse...

oi, sou eu, Jewel

desculpar meu portugues, ter passado por aqui só para dar um beijo, gostar muito do (perfume) do teu sitio, querer dar à lingua, desculpar, compor uma chanson da lua só para ti...

um beijo na flor, grande, por baixo dos teus lençois, desculpar...

...desta, agora, tua g'anda amiga

Jewel*

escrevinhador disse...

bonito poema e belíssima fotografia. A lua. Que seria das nossas noites sem ela? *

Anónimo disse...

Por que nao:)