quinta-feira, 23 de agosto de 2012

You Should Have Come Over









Não sei o nome desta noite.

E aposto que é por tua causa.

Desalinhas-me as coordenadas interiores e, em vez de me perder, encontro-me.

Os  teus dedos acentuam-me os contornos da alma.

E enquanto me afagas os cabelos eu embrenho-me nas tuas mãos, que já não são as tuas mãos, porque é insustentável continuarmos a ser dois e, por isso, os teus braços subitamente também fios do meu cabelo.
  
E enquanto sou um prolongamento de ti, com os cabelos desalinhados, a lua confessa-me que esta noite se chama Saudade.



segunda-feira, 30 de julho de 2012



Com os gestos de sempre levantou-se e cumpriu a rotina da manhã.
No chuveiro deixou que a saudade a banhasse, talvez mais por dentro do que por fora.
Vestiu-se como de costume, com o amor que tinha para dar, e a roupa sobrava-lhe no corpo.
Como o amor.
O pequeno almoço de ausência tomado apenas porque sim.
E, no entanto, a vida a acontecer.
Mas o "Bom dia" automático e metálico ao bater na porta do elevador.
E o eco ensurdecedor do mundo inteiro no "Bom dia" que nunca chegou como resposta.



 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

All that is done is forgiven.

 
 
TUDO.
 
 
 

segunda-feira, 16 de abril de 2012



Hoje gostava de conseguir escrever.

Mas não consigo sequer que a tristeza me encha de beleza as palavras.

Pensava mesmo que tinhas sido sempre capaz de ver e entender a verdade e o tamanho do meu amor.



 

sexta-feira, 23 de março de 2012

[ ALL IN ]




O dia começou com um "flop" de saudades e recordações, e a "big blind" a pagar era a aceitação de que tudo mudou.

Fiz "check", mas a realidade não me deu tréguas e fez "raise".
Dei "call".

O "turn" revelou uma carta inesperada e provocou um turbilhão de dúvidas e incertezas. A tentação de arriscar e continuar a jogar, ou a opção mais racional de fazer "fold"?

E se, depois de desistir, um "full house" de palavras ternas e de abraços perdidos?
Decidi que o "pot" fazia valer a pena o risco.

Com a chegada da noite desvenda-se o "river".
Esboço qualquer coisa parecida com um sorriso, afasto as fichas em direcção ao centro da mesa e, ainda antes da madrugada...
... estou ALL IN.





  

sexta-feira, 9 de março de 2012

At least we tried.




Os sorrisos.
Os teus sorrisos.
Os nossos sorrisos.

(...)

Ver-te sorrir para mim sem ser numa fotografia.
É isso que torna insuportáveis estas saudades hoje.



 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nobody knows. Nobody sees. Nobody but me.




Ninguém mais conhece este silêncio cheio de ruídos banais que torna tão consciente o facto de não estares aqui.

Ninguém vê as coisas comuns que continuam a acontecer e que materializam a tua ausência nos meus dias.

Ninguém sabe deste medo tão grande que paralisa, que se entranha na pele e ocupa o espaço todo do vazio que ficou.

Ninguém entende esta assimetria na alma que me divide entre a certeza de que não há mais nada a dizer... e a vontade parva de te dizer tudo o que já sabes outra vez.

Ninguém sabe. Ninguém a não ser eu.
E tu... Sim. Talvez tu.

Tu. Que adormeces agora, todas as noites, cada vez mais longe de mim.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

And time goes by so slowly...




Foi a última vez que ela deu tudo.

Sabia-o agora sem a menor dúvida. 

Esbarrou naquele pensamento, naquela frase,

( Foi a última vez que eu dei tudo ),

como se fosse uma parede intransponível.

Ás vezes é assim.

Os pensamentos não têm portas para abrir que permitam atravessá-los.

Não há saídas, nem espaços à volta das palavras para contornar.

E fica só o tempo a passar.



 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pode o céu ser tão longe?...




" Vesti a luz do teu nome
E chamei-te pela noite
Entraste no meu sono
Como o luar entra na fonte
Trazes histórias e proezas
Dizes que tens tanto pra me dar
Deixas sombras, incertezas
E partes sem nunca me levar

E de repente

Um mar sozinho
Ninguém na margem
Ninguém no caminho
Tão frio
E o teu beijo
Mata-me a distância
Ninguém tão perto
Pode o que o beijo alcança
E o meu corpo chora
Quando o teu vai embora
Porque o teu mundo
É tão longe

Tão longe
Pode o céu ser tão longe

Tão longe
Tão longe
Se a tua voz vive em mim... "









terça-feira, 3 de maio de 2011




Disseram-lhe que o comboio estava atrasado e ela sentou-se calmamente à espera, como se com o comboio também a vida atrasada.

Um sorriso sereno desenhado a carvão no rosto, com linhas leves.
Não tinha pressa.

Que diferença fazia o comboio atrasado uma hora, um mês ou a vida inteira, se a partida e a chegada eram sempre um mesmo e único lugar?

 



terça-feira, 29 de março de 2011

Naufrágio





Gosto que os teus beijos continuem a ser a bússola que me desnorteia os sentidos.

Gosto quando entras em mim e eu me sinto barco em alto mar.
A agitação das ondas na pele... 
A levar-me, rendida, de velas rasgadas, rumo ao naufrágio doce de prazer na praia quente dos teus braços.



sábado, 5 de março de 2011

Moonlight Shadow




Estranho isto de o meu céu hoje ter dois luares.

Um que controla as marés que se agitam nos meus olhos. 
Para não as deixar submergir a praia deserta dos meus lábios.

O outro?
Esse não sabe o que faz.

Cega-me à queima-roupa... e deixa-me sozinha com o meu vício.
Este.
De te querer.
Ainda.
Apesar de tudo.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

. . .




Eles não sabem do que falam quando me contam de ti.

Não sabem que juntos já fomos ao Inferno e voltamos.

Que juntos já vivemos tantos fins que lhes perdemos o medo.

E que, por isso, somos donos de todos os recomeços.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ges(tu)s




Ás vezes encontro-te nos gestos de outras pessoas.
Como hoje, quando fui lanchar à beira-mar.
Mas depois... as ondas não me trazem nada de ti. Nem o teu cheiro, nem o teu toque.
E, então, não deves ser tu que estás aqui. Não podes ser tu.


Já o mar... 
Esse é um espelho de mim. O reflexo perfeito.
Revolto, louco. Em busca de uma calma que não sabe se existe.
E cinzento.
Turvo.
Fundo.
Baço, porque perdido.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010




Somos todos casas assombradas.

Pelas desilusões, pelas palavras que não soubemos ouvir ou que não conseguimos dizer, pelos amores vividos e pelos que ficaram por viver.
Somos casas com janelas de vidros embaciados pelas tristezas. De mobília poeirenta onde, ao passar os dedos, se vislumbram as marcas e o brilho que antes tinham os sonhos agora desfeitos.

Temos candelabros baços no lugar dos olhos cansados de acender e apagar os dias.
E as portas rangem de saudade... de dor. São o lamento, o arrependimento que não ousamos confessar a ninguém.
E há gavetas entreabertas com sorrisos esquecidos. Tantos sorrisos que ficaram por chorar.

Somos todos casas assombradas.
Não pela morte.
Pela vida.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

My Dear, We're Slow Dancing in a Burning Room...




E estas noites de frio intenso em que é tão difícil dormir.
Porque tu estás sempre aqui e mexes o teu corpo de encontro ao meu e obrigas-me a sentir-te.
E eu abro os olhos e tu não estás.
Afinal não estás aqui.
E tanto espaço...
E eu ainda não tenho espaço suficiente para o vazio de ti.
Ainda não tenho espaço suficiente na minha cama para não te ter.
Tanto espaço... 
Mas ainda não chega se tu não estás aqui.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010




Lembras-te de quando eu te esperava sempre?

Esperar-te era esperar-nos.

E, quando tu chegavas, nós acontecíamos. 

 





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Equinócio




O Outono já começou a sua dança.

Ouço as folhas caídas no chão no seu bailado melancólico, com tules e vestes em tons de fogo.

E relembro a minha dança de Outono.

A coreografia do nosso abraço quente a pintar de aconchego as paredes do meu Outubro.


domingo, 10 de outubro de 2010

She's a Loser in Love




Ela já devia ter aprendido a não jogar o mesmo jogo mais do que uma vez. Pelo menos não da mesma maneira. Porque jogá-lo talvez seja uma inevitabilidade.

Devia ter aprendido a reconhecer o perigo e a evitá-lo. Não se colocar em xeque, até porque já perdeu demasiadas vezes.

Devia saber virar as costas à tentação. Apagar a luz e deixar fechados no escuro o desejo e a vontade.
Não dar o passo que a faz cair e cair sem rede de protecção no mesmo abismo de ainda ontem...

E o amor? O amor?...
Não devia ter nada a ver com isso.
Devia ser só um pormenor.
E não devia fazer a mínima diferença.

 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desencontros




Sentei-me.

Fiquei à espera.

Olhei para o relógio como se isso adiantasse alguma coisa.

Mas a nostalgia chegou à hora do costume.

Cumpriu-se a pontualidade da tristeza.

Afinal, era essa a hora marcada para as minhas lágrimas acontecerem.

A asfixia do impossível.

Foi só mais um encontro a que eu não faltei.