terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sometimes.




..."It's just you and me and the rain"...
Sorri e olhei para o outro lado.


Os sorrisos traduzem e desvendam pensamentos.
O meu sorriso foi um amontoado de palavras. Não o soubemos decifrar. Nenhum de nós.

Sorri e, por momentos, desviei o olhar do tempo.
Tentativa de escapar à necessidade de pensar.
Todas as promessas feitas... Mais uma vez assumidas e reforçadas num sorriso.

Abracei-nos enquanto te abraçava. E sorri enquanto te beijava porque a alma nunca aprendeu a mentir e repete a verdade vezes sem conta.

Sometimes I think. Sometimes I don't.

Sometimes.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

À boleia do Outono





Já caiu o pano de mais um dia.
Ouve-se ao longe um desejo a nascer.
Será talvez apenas uma porta que se entreabre. Mas não me apetece só isso hoje. Quero que seja uma vontade a ganhar forma.
Preciso de confirmar fora de mim esta energia que ainda me é estranha e que fervilha e me queima por dentro.
Preciso que não haja contradição nos movimentos desajeitados que o meu pensamento vai fazendo.
Tento adivinhar o trajecto sem projectar o meu olhar muito à frente dos meus passos. E as respostas vão-me chegando em forma de serenidade.
Ouve-se ao longe um desejo a crescer.
Sem medo de ausências ou desencontros.
Há plenitude no ar.
Fico a olhar para este lugar onde agora a dor é tão diferente.
E as distâncias significam apenas isso. Espaços que podemos sempre percorrer...

Já caiu o pano de mais um dia.
A minha alma sossega.
Faço parte do todo.
Pergunto-me se...
... e sorrio porque sei que Sim.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

La Nuit





Gosto destas noites que trazem dentro delas esse paladar doce e embriagante a infinito.
Levantar os olhos e ver o todo. Dessa sensação boa de não sentir o fim. Como se às vezes, só por instantes, o "para sempre" pudesse ser mais do que só um desejo.

Gosto deste vento vaporoso que me segreda ao ouvido palavras que não sei decifrar. E da certeza que tenho de que não é tão importante assim saber traduzi-las. Apenas deixá-las fazerem parte de mim.

Um raio de luar transporta uma carícia.
Um brilhar mais cintilante de uma qualquer estrela leva um beijo de saudade.
O som da onda que quebra no escuro da praia conta um segredo.

A noite. Silencioso e discreto mensageiro este, que se veste de negro, enquanto traz e leva pedaços de nós. Pequenos pontinhos de luz agarrados ao infinito.

Gosto que seja noite agora.
É terna e quente a textura na minha pele.
É suave e doce na minha boca.
Como se fosse o beijo de um amante ausente que o momento traz até mim.



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lembras-te?





Lembras-te?

Não te ouço, mas consigo imaginar-te a acenar que sim. Que te lembras tão bem quanto eu.

Porque por mais voltas que os nossos mundos dêem, num pedaço de nós há-de ser sempre um bocadinho assim.

São as tais tatuagens na alma que só lá aparecem e permanecem quando realmente valeu a pena.

E, de repente, o hoje faz-se ontem.
E a saudade afinal é amor.

...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Slow Motion




Respiro em câmara lenta.
Assim acelero a forma como o mundo me chega.
Mas absorvo-o devagar.
Prolongo a onda na sua curva perfeita antes da sua igualmente perfeita rendição.
E só depois desço as pálpebras.
Rapidamente, para que dentro de mim, o ondular desse estranho mar permaneça lento. Uma espécie de eternidade que falsamente fabrico para que o que acontece dure mais. O que existe, exista mais.

Em câmara lenta às vezes até a tristeza me faz sorrir.
Em câmara lenta apercebo-me de como afinal a rua está vazia.
A rua está muito mais vazia hoje.
...
...
...
Visto o casaco e adormeço. Ou morro.
Sempre a mesma dúvida.
...
...


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Roteiros Interiores




A voz dele chegou-lhe suave do outro lado da linha. Do outro lado do amor.

Foi no dia da mesma manhã em que a água lhe pareceu mais fria. Mais áspera a cair na pele nua que as suas mãos apertam na tentativa de reencontrar a sensação das dele. As dele. Que tacteiam agora coisas diferentes, coisas que ela não conhece. Do outro lado da paixão.

A voz dele fez com que ela percorresse outra vez todos os caminhos interiores que conduzem inevitavelmente aquela ternura tão forte que faz chorar. Aquela ternura que se sente poucas vezes numa vida. Do mesmo lado do amor.

Roteiros interiores de estradas humedecidas por lágrimas que ela já não sabe chorar. As que chora agora são diferentes. Não chegam a secar. Ele não está lá para as afastar.
Mas mesmo do outro lado da linha ela sente-lhe o carinho no olhar.
Quase adivinha o sorriso sincero no encontro das duas vozes. Aquele sorriso que gostava de poder guardar em qualquer sítio mais especial do que a simples memória. Do outro lado da vida.

Ela não conseguiu dizer-lhe tudo. Tentou, mas sabe que nunca se consegue dizer tudo.
Ás vezes, como uma criança, atira-se para cima da cama ao som de uma música antiga, e deixa-se ficar a imaginar que ele sabe. Que ele sabe tudo o que ela sente. E que acredita. Do outro lado do sonho.

Custou-lhe lembrar-se que a voz dele ia continuar depois de pousar o auscultador. Não para ela. Mas do outro lado da linha. Confortou-se com a suavidade que durante uns minutos a acariciou. Não foi sempre a voz dele uma carícia?... Do outro lado do tempo.

Ficou em silêncio. Fechou os olhos e deixou-se viajar.
Por espaços e recordações e sítios que não conhecem longe nem perto.
O auscultador suspenso na mão. Como se fosse só mais uma frase, como se fosse só mais um beijo. Suspensos...

Todo o amor que ela sente por ele. Aqui. Como uma brisa. Do outro lado de Mim.



domingo, 15 de março de 2009

[ . ]






Ás vezes não pensar é uma questão de sobrevivência.
Tento não pensar. Mas dói-me tanto o silêncio.
E este vazio que é tão pesado e tão cheio de imagens às quais já não sei dar sentido.

Perdi-me no caminho e já não sei se me lembro das minhas promessas.
Vou lá fora procurar qualquer coisa que não seja esta ausência de ti, mas é de noite. E todas as noites eram nossas.
Fujo para dentro de mim. Mas é precisamente lá onde mais estás.

Não tenho conseguido descodificar os dias. Movo-me por instinto e fico à espera que as horas acabem por se cansar mais do que eu e decidam deixar de existir.
Sento-me sozinha em espaços que ainda têm pedaços de nós e dou por mim a pedir que me deixem chorar. Só mais um bocadinho... Para ver se acordo ou se passa a culpa por não ter sabido desenhar um sorriso feliz no teu rosto todos os dias.

São 22h43m. Há muito que a escuridão se instalou. Ouço ao longe o barulho do mundo, da vida a acontecer. Lá fora, onde as estrelas estão demasiado altas.
Os meus olhos ardem.

Sinto-Me tão longe de mim.

[ . ]


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Intersecções





Ás vezes, apenas por um momento, a vida pára.
Para nesse instante podermos ser tudo.
Sentir tudo.
Qualquer coisa que tenhamos em mente pode, de repente, tornar-se real.
Talvez nem sempre estejamos suficientemente atentos para notarmos que está a acontecer.
Talvez não seja suposto que demos por ela.
É um intervalo no tempo, suspenso, que se limita a acontecer, não acontecendo.
Isento de coordenadas.
Flutuante no vazio.
Onde habitam todas as possibilidades, todas as hipóteses, todas as escolhas...


Hoje, num batimento mais descompassado dos dias, encontrei-me lá.
No centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades.
E em consciência plena, constatei calma e serenamente, que estou precisamente onde devia estar. Onde quero estar.
De todos os caminhos possíveis não queria outro senão este.

E é exactamente por aqui que quero continuar.
E agora sigo, e agora avanço... porque o momento acabou.



terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Perdoas-me os sorrisos que nem sempre tenho para te dar?





Amo-te mesmo quando não os tenho para te oferecer.

Amo-te sempre. Mesmo quando não sorrio.

Perdoas-me os sorrisos em que te falho?

...


sábado, 10 de janeiro de 2009

Changes




Afinal o barulho do gelo também se ouve amor. Não é só o do vento e da chuva. Ouve-se demasiado alto nas presenças que afinal não passam de ausências disfarçadas de uma vontade que já não se sente.

Ontem não estiveste, mas eu preciso de te contar que o vento chegou em assobios escuros. Preencheu todos os espaços, entre todos os corpos que se encontravam tão, tão perto... Mas que no entanto se perdiam de vista, numa distância enorme feita de palavras a menos, trocadas na impaciência de um segundo.

Fizeste-me tanta falta lá, talvez me tivesse desiludido menos um bocadinho se estivesses ao meu lado. A insensibilidade aos outros continua a surpreender-me.

Ao vir embora, o gelo que nasceu nos vidros do carro, ia assumindo as cores dos meus sonhos de criança... mas eram só as luzes, eram só os reflexos da viagem. Faltou-me o teu abraço, o teu sorriso, para me diminuir a tristeza.

Haverá alguma coisa errada com as minhas expectativas?...
Desculpa hoje escrever-te assim. Não serão estas as palavras mais bonitas.
Mas também podemos falar de desilusão, não podemos meu amor?



domingo, 7 de dezembro de 2008

[ Without you I'm nothing ]





Without you Im nothing - Placebo





Os dias têm tido exactamente os minutos e as horas certas. Nem menos, nem mais. Os perfeitos para nós.

As noites têm sido prolongamentos sedosos e cintilantes de ternuras, gestos em jeito de estrela cadente que dizem muito mais do que o simples movimento deixa transparecer.

As palavras, essas então... são enredos inteiros de mundos só nossos. Notas de carinho sussurradas ao ouvido enquanto a vida "nos" acontece.

Partilha. Cumplicidade. Entrega. Confiança.

Ao teu lado o céu tem sido mais céu e eu alcanço-o a cada dia na tua mão.

Cada espaço que o ponteiro avança livre [ tic-tac ] marca o sorriso do nosso encontro.

Sinto-me muitíssimo feliz. E hoje não sei dizer-te mais nada.

Só sei ficar aqui... a sentir-te.




quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Coisas que Sei





Como o frio que se vai infiltrando em tudo, mais visível na névoa dos pensamentos do que sentido nos corpos.

Como a confusão que faz ser-se muito feliz, por não se saber ser mais nada a seguir.

Os sorrisos. Ah, os sorrisos... essa espécie desvalorizada de tesouros que apenas num segundo faz com que tudo volte a valer a pena.

Como as tempestades, e o vento, e a chuva, e as trovoadas que não queremos ouvir porque de repente parecem muitas portas a fechar-se ao mesmo tempo. E temos medo. Talvez faça lembrar o som da solidão. Mesmo daquela que achamos que sabe bem, que é estranha amiga.

Que não quero cair. Mesmo quando não consigo salvar-me dos meus demónios. Não posso cair. São algumas as vezes em que não sei salvar-me.

Sei também que ontem a noite, apesar de gelada, estava incrivelmente bela. Uma lua gigante a certificar-se de que afinal ainda há destinos. Cúmplice cintilante de todas as nossas histórias.

Como hoje estou tão feliz que parece quase tristeza. Como tudo o que é realmente intenso.

E o frio. Lá fora. À minha espera.
E tu... Irei sempre ao teu encontro.

São só coisas minhas. Que aqui converso contigo. Só coisas que sei.



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

1996





Parece que foi ontem.

Parece que foi já noutra existência.

A minha pele lembra-se da sensação de calor que antecedeu o exacto momento do nosso beijo.
Recordo-me também do silêncio terno que foi crescendo à medida que o espaço entre as nossas bocas diminuía. Mel selvagem nos teus lábios.
Expectativa e euforia inocentes. Escolhemos um recanto cheio da cor verde... Um recanto que o meu olhar fotografou e que revisito enquanto escrevo.

Apercebo-me agora, à distância de (talvez) tantas vidas, de como era já absoluto e transparente o que sentia. De alguma forma muito pueril, eras já Paraíso.

Abrimos muitas portas, sucederam-se mares e céus e luas, percorremos caminhos que se desencontraram algumas vezes, mas que se cruzaram muitas mais. Qualquer coisa passou. Tempo, se lhe quisermos chamar assim.
Mas a ausência nunca foi sequer hipótese pensada.

Acho que era aqui que queria chegar. Ou melhor, que queria que chegasses.
Nunca estive ausente. Nunca me senti ausente.
Houve sempre esta continuidade cúmplice e intensa de mim em ti... de ti em mim... e de "nós" no acontecer ininterrupto de cada dia.

É, meu amor. Acho que é isto.
Foi precisamente ali (como se fosse ontem ou já noutra existência), que me descobri a amar-te.
Até hoje.
Ou até outra vida qualquer.



(Sei que estás muito cansado hoje. Por isso te escrevi baixinho. Dorme bem. Até já...)




sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Espelho




Era ainda cedo quando cheguei, ou talvez fosse já tarde e eu não tenha sido capaz de descodificar o tempo em que me movia.

O rio estendia-se muito para além das margens. Curso de água que, de repente, era também fluído da alma e espelho partido em mil destinos líquidos.

Numa inspiração brusca e intensa o ar invadiu o meu corpo, e a minha mão húmida procurou o amparo sólido do teu abraço. Do teu colo fiquei a olhar o rio, a espiar-lhe os desejos, a adivinhar-lhe os pensamentos... a sentir o "nós" que em tela de veludo reflectia.

Não sei bem se foi assim que adormeci ou se foi assim que acordei. Antes ou depois do tempo que como um íman empurra a água sempre na mesma direcção. Antes ou depois do medo.

Sei que vim embora. E que trouxe as margens transbordantes comigo. Sei que aprendi mais da nossa essência, daquilo que somos juntos.

E sei que foi só uma lágrima, amor.
Foram muitos, muitos mais os sorrisos...

Porque o espelho nos devolve tudo.


sábado, 16 de agosto de 2008

Espera.





Há muito que a cadeira está vazia.
Há muito que ela deixou de lá se sentar.
Ficaram lá debaixo os sonhos enterrados, as melodias de sempre a serem empurradas bem para o fundo.
Sem o molde do corpo dela, ficou só a cadeira, a sufocar qualquer coisa que a vida se foi esquecendo de ser.

Antes ela sentava-se ali todos os dias. E esperava. Havia sempre algo por que valia a pena esperar. Porque ainda não lhe tinham dito a verdade. E então ela acreditava, talvez porque o céu fosse quase sempre azul e o mar lhe fizesse prova de confiança de cada vez que lhe vinha beijar os pés.

Mas há muito que a cadeira está vazia agora.
Nota-se talvez na própria paisagem repleta do cinzento da ausência, e cheia de um nada por que ela pudesse esperar.
Foi exactamente ali que ela se desiludiu. Com ela mesma, com os outros, com as esperas em vão e até com o próprio mar que ás vezes se esquecia de a vir acariciar. E era sempre tão pouco o que ela esperava.
Muitas vezes apenas que os outros soubessem compreender e receber o que ela tinha para dar. Porque questionava-se frequentemente o que fazer com a ternura que tinha para dar...
Penso que fazemos isso quando o espaço à nossa volta não a parece conseguir conter. E isso entristecia-a. E fazia com que abandonasse a cadeira em que costumava sentar-se.

Cansou-se de estar ali. A cadeira abandonada confundiu-se com o cenário. Os dias foram deixando de se lembrar das coisas pequeninas, das aparentes insignificâncias. Aquelas pelas quais ela se sentava e esperava.

Agora não. Não vale a pena esperar pelo que ela sabe que não vai chegar. Talvez o lugar na cadeira nunca tenha sido realmente dela. Talvez a vida se tenha mesmo esquecido de acontecer mais vezes.

Foi ela que me contou esta história. Foi assim que a senti. Esperei...
Mas há muito que a cadeira está vazia.



quinta-feira, 24 de julho de 2008

Agora.





E as luzes foram amantes na margem do rio que lhes reflectia a entrega, a volúpia, a rendição.

Há noites que são longas demais para a rapidez fulminante de um amor absoluto.

Há noites que são curtas demais para a lassidão e infinidade de um sentimento que se reflecte no espelho quebradiço da água.

Houve noites... Haverá noites...
A condenação delimitada pelas margens porque o rio não pode senão correr para o mar.

De onde me chega este som de ti?
Estarás já tanto em mim que o meu respirar é um eco do que somos?

AGORA. Fujo do estremecimento violento da realidade e atiro-me dessa margem.
Lanço-me no vento encantado que acompanha o curso do rio e vou ter contigo em forma de sereia.
E tu, pescador, acolhes-me nesse aconchego doce que inventaste só para mim... e já não há mais tempo.

Porque somos PRESENTE.



quinta-feira, 3 de julho de 2008

Brisas





Hoje sou brisa inconsciente, à qual as coisas em redor não devolvem a sensação de existência.

Hoje sou só uma aragem perdida, que vai entoando baixinho melodias tristes de histórias felizes.

Há uma melancolia profunda nas notas de piano que embalam este percurso incerto da minha não-essência que hoje se faz sentir.

Está frio em mim. Mas não tenho janelas para fechar.

Pelo menos não hoje.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

* Staring out into the Night *





Quando a chuva lá fora se tornar tão forte que não te deixe ver o outro lado da rua, lembra-te que eu te abraço constantemente com o meu pensamento.


Ás vezes tenho dias como este, em que me dói já o fim antecipado de tudo o que ainda nem sequer começou ou aconteceu.


Hoje falta-me a eternidade.

*&*

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Untitled






Continua a ser incrível a forma como as nossas peles se vestem uma à outra.

Como se fosse uma lei da atracção que alguém se esqueceu de descobrir. Que ultrapassa os limites físicos do nosso espaço e se perpetua infinitamente no prazer-ternura que só nós soubemos inventar.

Todos os dias (re)nasço no teu (nosso) beijo...
... e há sempre perfeição no teu abraço.




(Escrito ao som dos Cat Power - The Greatest, só porque hoje me apeteceu dizê-lo).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Diário de uma noite



É preciso chegar a tua casa.
Faço-te melodias com promessas. Os nossos corpos transformam-se numa essência que eu desconhecia.
Dor. Dor. O calor da tua mão leva embora.
Olho-te. Não paro de te olhar. Escuto atentamente quando o teu rosto me sussurra que é impossível eu não te querer tanto.
Tocas-me. De repente sou lava, erupção, desejo em formas ousadas de mulher.
Sorri para ti agora mesmo. Retribuíste. Nasceu um mundo.
As estrelas do teu mar estão no meu céu.
Preocupo-me. Desaparecem os monstros com as tuas carícias no meu cabelo.
Ouço-te. Saboreio intensamente com a minha língua o aroma doce e único da tua voz.
Adormeço acordada quando pouso em ti. Borboleta enfeitiçada com a luz...
A minha paixão tem a cor da tua pele e a textura das palavras loucas que dizemos quando o Universo deixa de existir. Porque somos só nós.
E eu danço para ti ao som dos teus pensamentos.

Sensação forte de descobrir que afinal eu posso ter certezas. Como esta de te amar.