quarta-feira, 22 de julho de 2009
Lembras-te?
Lembras-te?
Não te ouço, mas consigo imaginar-te a acenar que sim. Que te lembras tão bem quanto eu.
Porque por mais voltas que os nossos mundos dêem, num pedaço de nós há-de ser sempre um bocadinho assim.
São as tais tatuagens na alma que só lá aparecem e permanecem quando realmente valeu a pena.
E, de repente, o hoje faz-se ontem.
E a saudade afinal é amor.
...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Slow Motion

Respiro em câmara lenta.
Assim acelero a forma como o mundo me chega.
Mas absorvo-o devagar.
Prolongo a onda na sua curva perfeita antes da sua igualmente perfeita rendição.
E só depois desço as pálpebras.
Rapidamente, para que dentro de mim, o ondular desse estranho mar permaneça lento. Uma espécie de eternidade que falsamente fabrico para que o que acontece dure mais. O que existe, exista mais.
Em câmara lenta às vezes até a tristeza me faz sorrir.
Em câmara lenta apercebo-me de como afinal a rua está vazia.
A rua está muito mais vazia hoje.
...
...
...
Visto o casaco e adormeço. Ou morro.
Sempre a mesma dúvida.
...
...
Assim acelero a forma como o mundo me chega.
Mas absorvo-o devagar.
Prolongo a onda na sua curva perfeita antes da sua igualmente perfeita rendição.
E só depois desço as pálpebras.
Rapidamente, para que dentro de mim, o ondular desse estranho mar permaneça lento. Uma espécie de eternidade que falsamente fabrico para que o que acontece dure mais. O que existe, exista mais.
Em câmara lenta às vezes até a tristeza me faz sorrir.
Em câmara lenta apercebo-me de como afinal a rua está vazia.
A rua está muito mais vazia hoje.
...
...
...
Visto o casaco e adormeço. Ou morro.
Sempre a mesma dúvida.
...
...
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Roteiros Interiores

A voz dele chegou-lhe suave do outro lado da linha. Do outro lado do amor.
Foi no dia da mesma manhã em que a água lhe pareceu mais fria. Mais áspera a cair na pele nua que as suas mãos apertam na tentativa de reencontrar a sensação das dele. As dele. Que tacteiam agora coisas diferentes, coisas que ela não conhece. Do outro lado da paixão.
A voz dele fez com que ela percorresse outra vez todos os caminhos interiores que conduzem inevitavelmente aquela ternura tão forte que faz chorar. Aquela ternura que se sente poucas vezes numa vida. Do mesmo lado do amor.
Roteiros interiores de estradas humedecidas por lágrimas que ela já não sabe chorar. As que chora agora são diferentes. Não chegam a secar. Ele não está lá para as afastar.
Mas mesmo do outro lado da linha ela sente-lhe o carinho no olhar.
Quase adivinha o sorriso sincero no encontro das duas vozes. Aquele sorriso que gostava de poder guardar em qualquer sítio mais especial do que a simples memória. Do outro lado da vida.
Ela não conseguiu dizer-lhe tudo. Tentou, mas sabe que nunca se consegue dizer tudo.
Ás vezes, como uma criança, atira-se para cima da cama ao som de uma música antiga, e deixa-se ficar a imaginar que ele sabe. Que ele sabe tudo o que ela sente. E que acredita. Do outro lado do sonho.
Custou-lhe lembrar-se que a voz dele ia continuar depois de pousar o auscultador. Não para ela. Mas do outro lado da linha. Confortou-se com a suavidade que durante uns minutos a acariciou. Não foi sempre a voz dele uma carícia?... Do outro lado do tempo.
Ficou em silêncio. Fechou os olhos e deixou-se viajar.
Por espaços e recordações e sítios que não conhecem longe nem perto.
O auscultador suspenso na mão. Como se fosse só mais uma frase, como se fosse só mais um beijo. Suspensos...
Todo o amor que ela sente por ele. Aqui. Como uma brisa. Do outro lado de Mim.
Foi no dia da mesma manhã em que a água lhe pareceu mais fria. Mais áspera a cair na pele nua que as suas mãos apertam na tentativa de reencontrar a sensação das dele. As dele. Que tacteiam agora coisas diferentes, coisas que ela não conhece. Do outro lado da paixão.
A voz dele fez com que ela percorresse outra vez todos os caminhos interiores que conduzem inevitavelmente aquela ternura tão forte que faz chorar. Aquela ternura que se sente poucas vezes numa vida. Do mesmo lado do amor.
Roteiros interiores de estradas humedecidas por lágrimas que ela já não sabe chorar. As que chora agora são diferentes. Não chegam a secar. Ele não está lá para as afastar.
Mas mesmo do outro lado da linha ela sente-lhe o carinho no olhar.
Quase adivinha o sorriso sincero no encontro das duas vozes. Aquele sorriso que gostava de poder guardar em qualquer sítio mais especial do que a simples memória. Do outro lado da vida.
Ela não conseguiu dizer-lhe tudo. Tentou, mas sabe que nunca se consegue dizer tudo.
Ás vezes, como uma criança, atira-se para cima da cama ao som de uma música antiga, e deixa-se ficar a imaginar que ele sabe. Que ele sabe tudo o que ela sente. E que acredita. Do outro lado do sonho.
Custou-lhe lembrar-se que a voz dele ia continuar depois de pousar o auscultador. Não para ela. Mas do outro lado da linha. Confortou-se com a suavidade que durante uns minutos a acariciou. Não foi sempre a voz dele uma carícia?... Do outro lado do tempo.
Ficou em silêncio. Fechou os olhos e deixou-se viajar.
Por espaços e recordações e sítios que não conhecem longe nem perto.
O auscultador suspenso na mão. Como se fosse só mais uma frase, como se fosse só mais um beijo. Suspensos...
Todo o amor que ela sente por ele. Aqui. Como uma brisa. Do outro lado de Mim.
domingo, 15 de março de 2009
[ . ]

Ás vezes não pensar é uma questão de sobrevivência.
Tento não pensar. Mas dói-me tanto o silêncio.
E este vazio que é tão pesado e tão cheio de imagens às quais já não sei dar sentido.
Perdi-me no caminho e já não sei se me lembro das minhas promessas.
Vou lá fora procurar qualquer coisa que não seja esta ausência de ti, mas é de noite. E todas as noites eram nossas.
Fujo para dentro de mim. Mas é precisamente lá onde mais estás.
Não tenho conseguido descodificar os dias. Movo-me por instinto e fico à espera que as horas acabem por se cansar mais do que eu e decidam deixar de existir.
Sento-me sozinha em espaços que ainda têm pedaços de nós e dou por mim a pedir que me deixem chorar. Só mais um bocadinho... Para ver se acordo ou se passa a culpa por não ter sabido desenhar um sorriso feliz no teu rosto todos os dias.
São 22h43m. Há muito que a escuridão se instalou. Ouço ao longe o barulho do mundo, da vida a acontecer. Lá fora, onde as estrelas estão demasiado altas.
Os meus olhos ardem.
Sinto-Me tão longe de mim.
[ . ]
Tento não pensar. Mas dói-me tanto o silêncio.
E este vazio que é tão pesado e tão cheio de imagens às quais já não sei dar sentido.
Perdi-me no caminho e já não sei se me lembro das minhas promessas.
Vou lá fora procurar qualquer coisa que não seja esta ausência de ti, mas é de noite. E todas as noites eram nossas.
Fujo para dentro de mim. Mas é precisamente lá onde mais estás.
Não tenho conseguido descodificar os dias. Movo-me por instinto e fico à espera que as horas acabem por se cansar mais do que eu e decidam deixar de existir.
Sento-me sozinha em espaços que ainda têm pedaços de nós e dou por mim a pedir que me deixem chorar. Só mais um bocadinho... Para ver se acordo ou se passa a culpa por não ter sabido desenhar um sorriso feliz no teu rosto todos os dias.
São 22h43m. Há muito que a escuridão se instalou. Ouço ao longe o barulho do mundo, da vida a acontecer. Lá fora, onde as estrelas estão demasiado altas.
Os meus olhos ardem.
Sinto-Me tão longe de mim.
[ . ]
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Intersecções

Ás vezes, apenas por um momento, a vida pára.
Para nesse instante podermos ser tudo.
Sentir tudo.
Qualquer coisa que tenhamos em mente pode, de repente, tornar-se real.
Talvez nem sempre estejamos suficientemente atentos para notarmos que está a acontecer.
Talvez não seja suposto que demos por ela.
É um intervalo no tempo, suspenso, que se limita a acontecer, não acontecendo.
Isento de coordenadas.
Flutuante no vazio.
Onde habitam todas as possibilidades, todas as hipóteses, todas as escolhas...
Hoje, num batimento mais descompassado dos dias, encontrei-me lá.
No centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades.
E em consciência plena, constatei calma e serenamente, que estou precisamente onde devia estar. Onde quero estar.
De todos os caminhos possíveis não queria outro senão este.
E é exactamente por aqui que quero continuar.
E agora sigo, e agora avanço... porque o momento acabou.
Para nesse instante podermos ser tudo.
Sentir tudo.
Qualquer coisa que tenhamos em mente pode, de repente, tornar-se real.
Talvez nem sempre estejamos suficientemente atentos para notarmos que está a acontecer.
Talvez não seja suposto que demos por ela.
É um intervalo no tempo, suspenso, que se limita a acontecer, não acontecendo.
Isento de coordenadas.
Flutuante no vazio.
Onde habitam todas as possibilidades, todas as hipóteses, todas as escolhas...
Hoje, num batimento mais descompassado dos dias, encontrei-me lá.
No centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades.
E em consciência plena, constatei calma e serenamente, que estou precisamente onde devia estar. Onde quero estar.
De todos os caminhos possíveis não queria outro senão este.
E é exactamente por aqui que quero continuar.
E agora sigo, e agora avanço... porque o momento acabou.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Perdoas-me os sorrisos que nem sempre tenho para te dar?
sábado, 10 de janeiro de 2009
Changes

Afinal o barulho do gelo também se ouve amor. Não é só o do vento e da chuva. Ouve-se demasiado alto nas presenças que afinal não passam de ausências disfarçadas de uma vontade que já não se sente.
Ontem não estiveste, mas eu preciso de te contar que o vento chegou em assobios escuros. Preencheu todos os espaços, entre todos os corpos que se encontravam tão, tão perto... Mas que no entanto se perdiam de vista, numa distância enorme feita de palavras a menos, trocadas na impaciência de um segundo.
Fizeste-me tanta falta lá, talvez me tivesse desiludido menos um bocadinho se estivesses ao meu lado. A insensibilidade aos outros continua a surpreender-me.
Ao vir embora, o gelo que nasceu nos vidros do carro, ia assumindo as cores dos meus sonhos de criança... mas eram só as luzes, eram só os reflexos da viagem. Faltou-me o teu abraço, o teu sorriso, para me diminuir a tristeza.
Haverá alguma coisa errada com as minhas expectativas?...
Desculpa hoje escrever-te assim. Não serão estas as palavras mais bonitas.
Mas também podemos falar de desilusão, não podemos meu amor?
Ontem não estiveste, mas eu preciso de te contar que o vento chegou em assobios escuros. Preencheu todos os espaços, entre todos os corpos que se encontravam tão, tão perto... Mas que no entanto se perdiam de vista, numa distância enorme feita de palavras a menos, trocadas na impaciência de um segundo.
Fizeste-me tanta falta lá, talvez me tivesse desiludido menos um bocadinho se estivesses ao meu lado. A insensibilidade aos outros continua a surpreender-me.
Ao vir embora, o gelo que nasceu nos vidros do carro, ia assumindo as cores dos meus sonhos de criança... mas eram só as luzes, eram só os reflexos da viagem. Faltou-me o teu abraço, o teu sorriso, para me diminuir a tristeza.
Haverá alguma coisa errada com as minhas expectativas?...
Desculpa hoje escrever-te assim. Não serão estas as palavras mais bonitas.
Mas também podemos falar de desilusão, não podemos meu amor?
domingo, 7 de dezembro de 2008
[ Without you I'm nothing ]

Os dias têm tido exactamente os minutos e as horas certas. Nem menos, nem mais. Os perfeitos para nós.
As noites têm sido prolongamentos sedosos e cintilantes de ternuras, gestos em jeito de estrela cadente que dizem muito mais do que o simples movimento deixa transparecer.
As palavras, essas então... são enredos inteiros de mundos só nossos. Notas de carinho sussurradas ao ouvido enquanto a vida "nos" acontece.
Partilha. Cumplicidade. Entrega. Confiança.
Ao teu lado o céu tem sido mais céu e eu alcanço-o a cada dia na tua mão.
Cada espaço que o ponteiro avança livre [ tic-tac ] marca o sorriso do nosso encontro.
Sinto-me muitíssimo feliz. E hoje não sei dizer-te mais nada.
Só sei ficar aqui... a sentir-te.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Coisas que Sei

Como o frio que se vai infiltrando em tudo, mais visível na névoa dos pensamentos do que sentido nos corpos.
Como a confusão que faz ser-se muito feliz, por não se saber ser mais nada a seguir.
Os sorrisos. Ah, os sorrisos... essa espécie desvalorizada de tesouros que apenas num segundo faz com que tudo volte a valer a pena.
Como as tempestades, e o vento, e a chuva, e as trovoadas que não queremos ouvir porque de repente parecem muitas portas a fechar-se ao mesmo tempo. E temos medo. Talvez faça lembrar o som da solidão. Mesmo daquela que achamos que sabe bem, que é estranha amiga.
Que não quero cair. Mesmo quando não consigo salvar-me dos meus demónios. Não posso cair. São algumas as vezes em que não sei salvar-me.
Sei também que ontem a noite, apesar de gelada, estava incrivelmente bela. Uma lua gigante a certificar-se de que afinal ainda há destinos. Cúmplice cintilante de todas as nossas histórias.
Como hoje estou tão feliz que parece quase tristeza. Como tudo o que é realmente intenso.
E o frio. Lá fora. À minha espera.
E tu... Irei sempre ao teu encontro.
São só coisas minhas. Que aqui converso contigo. Só coisas que sei.
Como a confusão que faz ser-se muito feliz, por não se saber ser mais nada a seguir.
Os sorrisos. Ah, os sorrisos... essa espécie desvalorizada de tesouros que apenas num segundo faz com que tudo volte a valer a pena.
Como as tempestades, e o vento, e a chuva, e as trovoadas que não queremos ouvir porque de repente parecem muitas portas a fechar-se ao mesmo tempo. E temos medo. Talvez faça lembrar o som da solidão. Mesmo daquela que achamos que sabe bem, que é estranha amiga.
Que não quero cair. Mesmo quando não consigo salvar-me dos meus demónios. Não posso cair. São algumas as vezes em que não sei salvar-me.
Sei também que ontem a noite, apesar de gelada, estava incrivelmente bela. Uma lua gigante a certificar-se de que afinal ainda há destinos. Cúmplice cintilante de todas as nossas histórias.
Como hoje estou tão feliz que parece quase tristeza. Como tudo o que é realmente intenso.
E o frio. Lá fora. À minha espera.
E tu... Irei sempre ao teu encontro.
São só coisas minhas. Que aqui converso contigo. Só coisas que sei.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
1996

Parece que foi ontem.
Parece que foi já noutra existência.
A minha pele lembra-se da sensação de calor que antecedeu o exacto momento do nosso beijo.
Parece que foi já noutra existência.
A minha pele lembra-se da sensação de calor que antecedeu o exacto momento do nosso beijo.
Recordo-me também do silêncio terno que foi crescendo à medida que o espaço entre as nossas bocas diminuía. Mel selvagem nos teus lábios.
Expectativa e euforia inocentes. Escolhemos um recanto cheio da cor verde... Um recanto que o meu olhar fotografou e que revisito enquanto escrevo.
Apercebo-me agora, à distância de (talvez) tantas vidas, de como era já absoluto e transparente o que sentia. De alguma forma muito pueril, eras já Paraíso.
Abrimos muitas portas, sucederam-se mares e céus e luas, percorremos caminhos que se desencontraram algumas vezes, mas que se cruzaram muitas mais. Qualquer coisa passou. Tempo, se lhe quisermos chamar assim.
Mas a ausência nunca foi sequer hipótese pensada.
Acho que era aqui que queria chegar. Ou melhor, que queria que chegasses.
Nunca estive ausente. Nunca me senti ausente.
Houve sempre esta continuidade cúmplice e intensa de mim em ti... de ti em mim... e de "nós" no acontecer ininterrupto de cada dia.
É, meu amor. Acho que é isto.
Foi precisamente ali (como se fosse ontem ou já noutra existência), que me descobri a amar-te.
Até hoje.
Ou até outra vida qualquer.
(Sei que estás muito cansado hoje. Por isso te escrevi baixinho. Dorme bem. Até já...)
Expectativa e euforia inocentes. Escolhemos um recanto cheio da cor verde... Um recanto que o meu olhar fotografou e que revisito enquanto escrevo.
Apercebo-me agora, à distância de (talvez) tantas vidas, de como era já absoluto e transparente o que sentia. De alguma forma muito pueril, eras já Paraíso.
Abrimos muitas portas, sucederam-se mares e céus e luas, percorremos caminhos que se desencontraram algumas vezes, mas que se cruzaram muitas mais. Qualquer coisa passou. Tempo, se lhe quisermos chamar assim.
Mas a ausência nunca foi sequer hipótese pensada.
Acho que era aqui que queria chegar. Ou melhor, que queria que chegasses.
Nunca estive ausente. Nunca me senti ausente.
Houve sempre esta continuidade cúmplice e intensa de mim em ti... de ti em mim... e de "nós" no acontecer ininterrupto de cada dia.
É, meu amor. Acho que é isto.
Foi precisamente ali (como se fosse ontem ou já noutra existência), que me descobri a amar-te.
Até hoje.
Ou até outra vida qualquer.
(Sei que estás muito cansado hoje. Por isso te escrevi baixinho. Dorme bem. Até já...)
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Espelho
Era ainda cedo quando cheguei, ou talvez fosse já tarde e eu não tenha sido capaz de descodificar o tempo em que me movia.
O rio estendia-se muito para além das margens. Curso de água que, de repente, era também fluído da alma e espelho partido em mil destinos líquidos.
Numa inspiração brusca e intensa o ar invadiu o meu corpo, e a minha mão húmida procurou o amparo sólido do teu abraço. Do teu colo fiquei a olhar o rio, a espiar-lhe os desejos, a adivinhar-lhe os pensamentos... a sentir o "nós" que em tela de veludo reflectia.
Não sei bem se foi assim que adormeci ou se foi assim que acordei. Antes ou depois do tempo que como um íman empurra a água sempre na mesma direcção. Antes ou depois do medo.
Sei que vim embora. E que trouxe as margens transbordantes comigo. Sei que aprendi mais da nossa essência, daquilo que somos juntos.
E sei que foi só uma lágrima, amor.
Foram muitos, muitos mais os sorrisos...
Porque o espelho nos devolve tudo.
O rio estendia-se muito para além das margens. Curso de água que, de repente, era também fluído da alma e espelho partido em mil destinos líquidos.
Numa inspiração brusca e intensa o ar invadiu o meu corpo, e a minha mão húmida procurou o amparo sólido do teu abraço. Do teu colo fiquei a olhar o rio, a espiar-lhe os desejos, a adivinhar-lhe os pensamentos... a sentir o "nós" que em tela de veludo reflectia.
Não sei bem se foi assim que adormeci ou se foi assim que acordei. Antes ou depois do tempo que como um íman empurra a água sempre na mesma direcção. Antes ou depois do medo.
Sei que vim embora. E que trouxe as margens transbordantes comigo. Sei que aprendi mais da nossa essência, daquilo que somos juntos.
E sei que foi só uma lágrima, amor.
Foram muitos, muitos mais os sorrisos...
Porque o espelho nos devolve tudo.
sábado, 16 de agosto de 2008
Espera.

Há muito que a cadeira está vazia.
Há muito que ela deixou de lá se sentar.
Ficaram lá debaixo os sonhos enterrados, as melodias de sempre a serem empurradas bem para o fundo.
Sem o molde do corpo dela, ficou só a cadeira, a sufocar qualquer coisa que a vida se foi esquecendo de ser.
Antes ela sentava-se ali todos os dias. E esperava. Havia sempre algo por que valia a pena esperar. Porque ainda não lhe tinham dito a verdade. E então ela acreditava, talvez porque o céu fosse quase sempre azul e o mar lhe fizesse prova de confiança de cada vez que lhe vinha beijar os pés.
Mas há muito que a cadeira está vazia agora.
Nota-se talvez na própria paisagem repleta do cinzento da ausência, e cheia de um nada por que ela pudesse esperar.
Foi exactamente ali que ela se desiludiu. Com ela mesma, com os outros, com as esperas em vão e até com o próprio mar que ás vezes se esquecia de a vir acariciar. E era sempre tão pouco o que ela esperava.
Muitas vezes apenas que os outros soubessem compreender e receber o que ela tinha para dar. Porque questionava-se frequentemente o que fazer com a ternura que tinha para dar...
Penso que fazemos isso quando o espaço à nossa volta não a parece conseguir conter. E isso entristecia-a. E fazia com que abandonasse a cadeira em que costumava sentar-se.
Cansou-se de estar ali. A cadeira abandonada confundiu-se com o cenário. Os dias foram deixando de se lembrar das coisas pequeninas, das aparentes insignificâncias. Aquelas pelas quais ela se sentava e esperava.
Agora não. Não vale a pena esperar pelo que ela sabe que não vai chegar. Talvez o lugar na cadeira nunca tenha sido realmente dela. Talvez a vida se tenha mesmo esquecido de acontecer mais vezes.
Foi ela que me contou esta história. Foi assim que a senti. Esperei...
Mas há muito que a cadeira está vazia.
Há muito que ela deixou de lá se sentar.
Ficaram lá debaixo os sonhos enterrados, as melodias de sempre a serem empurradas bem para o fundo.
Sem o molde do corpo dela, ficou só a cadeira, a sufocar qualquer coisa que a vida se foi esquecendo de ser.
Antes ela sentava-se ali todos os dias. E esperava. Havia sempre algo por que valia a pena esperar. Porque ainda não lhe tinham dito a verdade. E então ela acreditava, talvez porque o céu fosse quase sempre azul e o mar lhe fizesse prova de confiança de cada vez que lhe vinha beijar os pés.
Mas há muito que a cadeira está vazia agora.
Nota-se talvez na própria paisagem repleta do cinzento da ausência, e cheia de um nada por que ela pudesse esperar.
Foi exactamente ali que ela se desiludiu. Com ela mesma, com os outros, com as esperas em vão e até com o próprio mar que ás vezes se esquecia de a vir acariciar. E era sempre tão pouco o que ela esperava.
Muitas vezes apenas que os outros soubessem compreender e receber o que ela tinha para dar. Porque questionava-se frequentemente o que fazer com a ternura que tinha para dar...
Penso que fazemos isso quando o espaço à nossa volta não a parece conseguir conter. E isso entristecia-a. E fazia com que abandonasse a cadeira em que costumava sentar-se.
Cansou-se de estar ali. A cadeira abandonada confundiu-se com o cenário. Os dias foram deixando de se lembrar das coisas pequeninas, das aparentes insignificâncias. Aquelas pelas quais ela se sentava e esperava.
Agora não. Não vale a pena esperar pelo que ela sabe que não vai chegar. Talvez o lugar na cadeira nunca tenha sido realmente dela. Talvez a vida se tenha mesmo esquecido de acontecer mais vezes.
Foi ela que me contou esta história. Foi assim que a senti. Esperei...
Mas há muito que a cadeira está vazia.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Agora.
E as luzes foram amantes na margem do rio que lhes reflectia a entrega, a volúpia, a rendição.
Há noites que são longas demais para a rapidez fulminante de um amor absoluto.
Há noites que são curtas demais para a lassidão e infinidade de um sentimento que se reflecte no espelho quebradiço da água.
Houve noites... Haverá noites...
A condenação delimitada pelas margens porque o rio não pode senão correr para o mar.
De onde me chega este som de ti?
Estarás já tanto em mim que o meu respirar é um eco do que somos?
AGORA. Fujo do estremecimento violento da realidade e atiro-me dessa margem.
Lanço-me no vento encantado que acompanha o curso do rio e vou ter contigo em forma de sereia.
E tu, pescador, acolhes-me nesse aconchego doce que inventaste só para mim... e já não há mais tempo.
Porque somos PRESENTE.
Há noites que são longas demais para a rapidez fulminante de um amor absoluto.
Há noites que são curtas demais para a lassidão e infinidade de um sentimento que se reflecte no espelho quebradiço da água.
Houve noites... Haverá noites...
A condenação delimitada pelas margens porque o rio não pode senão correr para o mar.
De onde me chega este som de ti?
Estarás já tanto em mim que o meu respirar é um eco do que somos?
AGORA. Fujo do estremecimento violento da realidade e atiro-me dessa margem.
Lanço-me no vento encantado que acompanha o curso do rio e vou ter contigo em forma de sereia.
E tu, pescador, acolhes-me nesse aconchego doce que inventaste só para mim... e já não há mais tempo.
Porque somos PRESENTE.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Brisas

Hoje sou brisa inconsciente, à qual as coisas em redor não devolvem a sensação de existência.
Hoje sou só uma aragem perdida, que vai entoando baixinho melodias tristes de histórias felizes.
Há uma melancolia profunda nas notas de piano que embalam este percurso incerto da minha não-essência que hoje se faz sentir.
Está frio em mim. Mas não tenho janelas para fechar.
Pelo menos não hoje.
Hoje sou só uma aragem perdida, que vai entoando baixinho melodias tristes de histórias felizes.
Há uma melancolia profunda nas notas de piano que embalam este percurso incerto da minha não-essência que hoje se faz sentir.
Está frio em mim. Mas não tenho janelas para fechar.
Pelo menos não hoje.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
* Staring out into the Night *
Quando a chuva lá fora se tornar tão forte que não te deixe ver o outro lado da rua, lembra-te que eu te abraço constantemente com o meu pensamento.
Ás vezes tenho dias como este, em que me dói já o fim antecipado de tudo o que ainda nem sequer começou ou aconteceu.
Hoje falta-me a eternidade.
*&*
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Untitled

Continua a ser incrível a forma como as nossas peles se vestem uma à outra.
Como se fosse uma lei da atracção que alguém se esqueceu de descobrir. Que ultrapassa os limites físicos do nosso espaço e se perpetua infinitamente no prazer-ternura que só nós soubemos inventar.
Todos os dias (re)nasço no teu (nosso) beijo...
... e há sempre perfeição no teu abraço.
(Escrito ao som dos Cat Power - The Greatest, só porque hoje me apeteceu dizê-lo).
Como se fosse uma lei da atracção que alguém se esqueceu de descobrir. Que ultrapassa os limites físicos do nosso espaço e se perpetua infinitamente no prazer-ternura que só nós soubemos inventar.
Todos os dias (re)nasço no teu (nosso) beijo...
... e há sempre perfeição no teu abraço.
(Escrito ao som dos Cat Power - The Greatest, só porque hoje me apeteceu dizê-lo).
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Diário de uma noite

É preciso chegar a tua casa.
Faço-te melodias com promessas. Os nossos corpos transformam-se numa essência que eu desconhecia.
Dor. Dor. O calor da tua mão leva embora.
Olho-te. Não paro de te olhar. Escuto atentamente quando o teu rosto me sussurra que é impossível eu não te querer tanto.
Tocas-me. De repente sou lava, erupção, desejo em formas ousadas de mulher.
Sorri para ti agora mesmo. Retribuíste. Nasceu um mundo.
As estrelas do teu mar estão no meu céu.
Preocupo-me. Desaparecem os monstros com as tuas carícias no meu cabelo.
Ouço-te. Saboreio intensamente com a minha língua o aroma doce e único da tua voz.
Adormeço acordada quando pouso em ti. Borboleta enfeitiçada com a luz...
A minha paixão tem a cor da tua pele e a textura das palavras loucas que dizemos quando o Universo deixa de existir. Porque somos só nós.
E eu danço para ti ao som dos teus pensamentos.
Sensação forte de descobrir que afinal eu posso ter certezas. Como esta de te amar.
Faço-te melodias com promessas. Os nossos corpos transformam-se numa essência que eu desconhecia.
Dor. Dor. O calor da tua mão leva embora.
Olho-te. Não paro de te olhar. Escuto atentamente quando o teu rosto me sussurra que é impossível eu não te querer tanto.
Tocas-me. De repente sou lava, erupção, desejo em formas ousadas de mulher.
Sorri para ti agora mesmo. Retribuíste. Nasceu um mundo.
As estrelas do teu mar estão no meu céu.
Preocupo-me. Desaparecem os monstros com as tuas carícias no meu cabelo.
Ouço-te. Saboreio intensamente com a minha língua o aroma doce e único da tua voz.
Adormeço acordada quando pouso em ti. Borboleta enfeitiçada com a luz...
A minha paixão tem a cor da tua pele e a textura das palavras loucas que dizemos quando o Universo deixa de existir. Porque somos só nós.
E eu danço para ti ao som dos teus pensamentos.
Sensação forte de descobrir que afinal eu posso ter certezas. Como esta de te amar.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Um Texto Simples

Amanhã já vou estar contigo e, no entanto, não consigo travar esta saudade que tomou conta de mim. Há esta falta que me fazes. Quase constante. Talvez precisamente porque estás sempre tão presente em mim. Nos meus gestos, nas minhas palavras, na forma de eu olhar para as coisas. Em tudo o que é o meu pensamento.
Fica este vazio que em alguns momentos se transforma numa angústia enorme de não te poder abraçar, aqui e agora. Porque tinha que ser agora, entendes? Tinha que ser este exacto abraço que nasceu só para ti, com o contorno do teu corpo, desenhado para o calor da tua pele e a doçura do teu beijo.
Apesar de o sol estar gigante lá fora. Apesar da certeza de que amanhã vamos estar juntos. Apesar disso tudo. Queria-te aqui. Agora. Porque se não te mostrar sempre, a cada instante, nunca te amo o suficiente. Porque queria partilhar este segundo que agora acabou de passar contigo e com mais ninguém no mundo. Porque não sabes que estou a pensar em ti, mas devias saber. Devias saber sempre.
Amanhã talvez não saiba explicar-te estas palavras. Os ponteiros nos relógios vão marcar uma hora diferente, posterior a esta em que te escrevo. Terei com certeza outras para te dizer. Igualmente intensas, apaixonadas, absolutas.
Mas já não serão estas... compreendes, meu mundo?...
Fica este vazio que em alguns momentos se transforma numa angústia enorme de não te poder abraçar, aqui e agora. Porque tinha que ser agora, entendes? Tinha que ser este exacto abraço que nasceu só para ti, com o contorno do teu corpo, desenhado para o calor da tua pele e a doçura do teu beijo.
Apesar de o sol estar gigante lá fora. Apesar da certeza de que amanhã vamos estar juntos. Apesar disso tudo. Queria-te aqui. Agora. Porque se não te mostrar sempre, a cada instante, nunca te amo o suficiente. Porque queria partilhar este segundo que agora acabou de passar contigo e com mais ninguém no mundo. Porque não sabes que estou a pensar em ti, mas devias saber. Devias saber sempre.
Amanhã talvez não saiba explicar-te estas palavras. Os ponteiros nos relógios vão marcar uma hora diferente, posterior a esta em que te escrevo. Terei com certeza outras para te dizer. Igualmente intensas, apaixonadas, absolutas.
Mas já não serão estas... compreendes, meu mundo?...
quarta-feira, 5 de março de 2008
Deste Pôr do Sol...

Às vezes o pôr do sol é só meu.
Egoísticamente meu.
Arranco-o ao céu num gesto libidinoso, num atrevimento carnal. Como se fosse objecto especial que se pudesse guardar e estimar no aconchego castanho de uma gaveta.
A mistura ardente de tons é repentinamente espelho de mim.
E sussurro-te ao ouvido nessa hora.
(É este o calor e a força com que te quero, meu amor.)
Há agora também uma brisa que tem o som e o cheiro da tua ternura. Arca do tesouro de doçuras.
(Nada no mundo sabe melhor do que as tuas carícias.)
E o pôr do sol não sabe que está abrigado no mesmo recanto em que encontro as tuas palavras.
(Disseste-me há dias uma frase que não existia. Uma frase que eu nunca tinha imaginado, mas que sempre desejara ouvir.)
Às vezes, no meu pôr do sol, não há mar, não há céu.
Fica apenas o que resulta dessa união. Qualquer coisa que ultrapassa o momento... e permanece.
(Como nós, amor.)
E sorrio-te enquanto te amo.
Sorrio também da minha ingenuidade em acreditar que imortalizo o nosso desejo ao roubar o pôr do sol.
(Ele renasce de cada vez que penso em ti, sabias?)
Sabor a paz de fim de tarde. A minha mão está firme na tua. As nossas bocas mergulhadas num beijo nosso.
(Fica...)
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Imensidão

Temos sido esta vastidão imensa. Uma extensão palpável de carícias e ternuras, em curvas suaves de transparência azul mar.
Temos sido o serpentear ora encrespado, ora meigo de um oceano alheio ao mundo. As nossas mãos... ondas arrojadas que deslizam na pele feita areia sedenta do prazer desse encontro íntimo.
Num marear compassado pelo murmúrio das nossas vozes, melodia doce e harmoniosa que nos embala o caminho, temos sido esta imensidão.
Azul, mais azul. Firmamento. Eternidade.
Temos sido o serpentear ora encrespado, ora meigo de um oceano alheio ao mundo. As nossas mãos... ondas arrojadas que deslizam na pele feita areia sedenta do prazer desse encontro íntimo.
Num marear compassado pelo murmúrio das nossas vozes, melodia doce e harmoniosa que nos embala o caminho, temos sido esta imensidão.
Azul, mais azul. Firmamento. Eternidade.
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