quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um Texto Simples





Amanhã já vou estar contigo e, no entanto, não consigo travar esta saudade que tomou conta de mim. Há esta falta que me fazes. Quase constante. Talvez precisamente porque estás sempre tão presente em mim. Nos meus gestos, nas minhas palavras, na forma de eu olhar para as coisas. Em tudo o que é o meu pensamento.


Fica este vazio que em alguns momentos se transforma numa angústia enorme de não te poder abraçar, aqui e agora. Porque tinha que ser agora, entendes? Tinha que ser este exacto abraço que nasceu só para ti, com o contorno do teu corpo, desenhado para o calor da tua pele e a doçura do teu beijo.


Apesar de o sol estar gigante lá fora. Apesar da certeza de que amanhã vamos estar juntos. Apesar disso tudo. Queria-te aqui. Agora. Porque se não te mostrar sempre, a cada instante, nunca te amo o suficiente. Porque queria partilhar este segundo que agora acabou de passar contigo e com mais ninguém no mundo. Porque não sabes que estou a pensar em ti, mas devias saber. Devias saber sempre.


Amanhã talvez não saiba explicar-te estas palavras. Os ponteiros nos relógios vão marcar uma hora diferente, posterior a esta em que te escrevo. Terei com certeza outras para te dizer. Igualmente intensas, apaixonadas, absolutas.


Mas já não serão estas... compreendes, meu mundo?...



quarta-feira, 5 de março de 2008

Deste Pôr do Sol...






Às vezes o pôr do sol é só meu.
Egoísticamente meu.

Arranco-o ao céu num gesto libidinoso, num atrevimento carnal. Como se fosse objecto especial que se pudesse guardar e estimar no aconchego castanho de uma gaveta.

A mistura ardente de tons é repentinamente espelho de mim.
E sussurro-te ao ouvido nessa hora.

(É este o calor e a força com que te quero, meu amor.)

Há agora também uma brisa que tem o som e o cheiro da tua ternura. Arca do tesouro de doçuras.

(Nada no mundo sabe melhor do que as tuas carícias.)

E o pôr do sol não sabe que está abrigado no mesmo recanto em que encontro as tuas palavras.

(Disseste-me há dias uma frase que não existia. Uma frase que eu nunca tinha imaginado, mas que sempre desejara ouvir.)

Às vezes, no meu pôr do sol, não há mar, não há céu.
Fica apenas o que resulta dessa união. Qualquer coisa que ultrapassa o momento... e permanece.

(Como nós, amor.)

E sorrio-te enquanto te amo.
Sorrio também da minha ingenuidade em acreditar que imortalizo o nosso desejo ao roubar o pôr do sol.

(Ele renasce de cada vez que penso em ti, sabias?)

Sabor a paz de fim de tarde. A minha mão está firme na tua. As nossas bocas mergulhadas num beijo nosso.

(Fica...)





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Imensidão






Temos sido esta vastidão imensa. Uma extensão palpável de carícias e ternuras, em curvas suaves de transparência azul mar.

Temos sido o serpentear ora encrespado, ora meigo de um oceano alheio ao mundo. As nossas mãos... ondas arrojadas que deslizam na pele feita areia sedenta do prazer desse encontro íntimo.

Num marear compassado pelo murmúrio das nossas vozes, melodia doce e harmoniosa que nos embala o caminho, temos sido esta imensidão.

Azul, mais azul. Firmamento. Eternidade.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Devaneios de um sonho mau





Esta noite fiquei prisioneira de sonhos corrompidos, e ainda não te disse.

Sonhos de medo, em que há fim e limites. Coisas que nos ensinam que não cabem nos sonhos.

Detida e reclusa dos meus próprios receios. Cativa das minhas dúvidas, hesitações e incertezas. Todas em tons graduais de escuridão.

Mas ainda não te disse, pois não? Como no meu sonho mau, os meus sonhos acabaram. Porque tu já não estavas lá para me dizer frases lindas que falam de futuros nossos, para me dizer frases belas que consubstanciam o desejo e a vontade de um "amanhã".

Tentei ouvir.
Mas era o silêncio.
Tentei olhar.
Mas era o vazio.

A noite ficou pesada e compacta, habitada por uma alma obscura. Como o meu corpo derrotado pelos devaneios tristes de um sono perturbador.

Acordei numa angústia rápida de reencontrar a realidade. Aquela em que te encontro, mesmo que não te procure, porque vives fundo em mim.
Acordei na ânsia de poder libertar-me do meu próprio pensamento. Estranho. Enclausurador.

Encontrei este sol, esta luz. Ficaram ainda as esquinas turvas dos receios que durante a noite viveram comigo. Dissolver-se-ão certamente com o passar gradual das horas do dia.

E eu ainda não te disse... Que tive um sonho perigoso...
Que foi só um sonho.
Apenas devaneios de um sonho mau.
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(Foi assim,... não foi?)



sábado, 29 de dezembro de 2007

Encontro






Foi num instante concreto de uma noite qualquer que as nossas bocas se encontraram no trajecto nítido de uma mesma palavra.

A mesma sonoridade tangível, o mesmo movimento dos lábios, materializando, mesmo ali à nossa frente, o que naquela hora certa precisávamos de ver. Ainda que só esboçado, para logo se esfumar. Concretizou-se, sim. Mas apenas e para perdurar como bruma que nos deslumbra e que habita entre e dentro de nós.

A fascinação que a tua mão provoca na minha permanece estranhamente intensa. Como matriz dos dias misteriosos que os relógios guardam escondidos para mim. Para nós. Gosto mais de dizê-lo assim.

Dessa noite de que te falo e que vai cruzando as nossas outras noites, deixa-me só recordar mais uma vez contigo o aglomerado de destinos cintilantes acima de nós. Iluminando o trajecto seguro das nossas bocas na rota uma da outra... e de uma mesma palavra.




terça-feira, 20 de novembro de 2007

. . . I Think this is a Song of Hope . . .






. . . Does Anybody Remember LAUGHTER ? . . .

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

§





... e foi assim, há muitos sorrisos atrás, que nascemos.

Num Outubro mágico que não podia ter existido de outra maneira senão aquela que nos conduziu até aqui.

Há dias que são um tesouro muito grande. Dotados de uma preciosidade que vamos descobrindo aos pouquinhos, ao longo do percurso.

Nós. Chegamos até hoje. E neste presente de tanta partilha e cumplicidade o nosso abraço abarca muito mais do que o ondular melodioso de todos os oceanos. Contém dimensões de afectos só nossos, e que são mundos misteriosos para quem não seja "tu" ou "eu".

Hoje a noite está assim. Só porque eu quero. Como naquele Outubro encantado.
O ar é o mesmo. As mesmas estrelas.
O nosso beijo. Sempre o mesmo. Sempre o primeiro. Aquele, lembras-te amor? O nosso.

...e foi assim, há muitos abraços atrás, que nascemos.

§



quinta-feira, 6 de setembro de 2007

SERENIDADE





Um branco luminoso muito puro, muito intenso (quase dor), chega-me de longe.

Às vezes é uma felicidade estranha que se concretiza a cada sorriso nosso.

Será sorriso este arrebatamento, este agitar de alma inquieta que cresce e se agiganta de cada vez que as tuas mãos lhe pegam?
Ora selvagens e ousadas, ora dóceis e transparentes de ternura.

E é sorriso. Sorriso com aroma forte de lágrimas e emoção.
Cheio de sal, cheio de mel e que não me cabe no corpo.
Com rebeldia mostra-se para além de mim e não o contenho.

Como posso fazê-lo meu amor? Estou nos teus braços.

E somos paz. Desejo. Serenidade.

E somos um infinito lindo de possíveis.


...


sábado, 21 de julho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Time In A Bottle





Sabes quando estamos longe de casa durante muito tempo?

E depois, quando voltamos, encontramos um conforto e bem-estar que são difíceis de pôr em palavras?

É o retorno a casa. O chegar ao nosso espaço, ao nosso canto.

Olho para mim.
Apercebo-me de que tenho os olhos a brilhar. A brilhar muito.
E tenho a certeza de que é apenas o reflexo da tranquilidade e paz que trago comigo de cada vez que estamos juntos.

A paz e a calma de uma certeza.
A de acreditar em nós.

Como quando se chega a casa...


"Time in a Bottle"


If I could save time in a bottle
The first thing that I'd like to do
Is to save every day
Till eternity passes away
Just to spend them with you


If I could make days last forever
If words could make wishes come true
I'd save every day like a treasure and then,
Again, I would spend them with you

But there never seems to be enough time
To do the things you want to do
Once you find them
I've looked around enough to know
That you're the one I want to go
Through time with

If I had a box just for wishes
And dreams that had never come true
The box would be empty
Except for the memory
Of how they were answered by you

(Time in a Bottle - Jim Croce)




quinta-feira, 10 de maio de 2007

Dás-me a mão?





Hoje escrevo-te pela noite fechada de silêncio.
Escrevo-te através da certeza de que a mesma sombra nos une.

As estrelas no céu são inumeráveis. Como pequenos seres das histórias de encantar que se movimentam em focos de luz intensa.

E eu imagino-te aqui para tentar suavizar a realidade de não estares realmente aqui. Materializo-te nas formas mais estranhas. Dou-te voz através de melodias lindas e infindáveis. Vejo-te sorrir na noite líquida que lentamente me vai adormecendo.

Já reparaste como juntos somos capazes de acrescentar ao real uma infinitude de possíveis?
Já te disse que não consigo esvaziar o meu corpo da essência morna e embriagante da tua presença?

As velas estão acesas e a indecisão alaranjada das chamas reflecte-se até aos limites deste meu espaço. A luz está apagada. "Roads", Portishead...
Instantaneamente o mundo está longe. Se calhar nem existe. E esta sonoridade linda que ecoa como se nascesse, agora mesmo, da recordação de ti, do teu sorriso, de tudo o que és.

E não existe mais nada agora.
Podia ir lá fora ver... mas não se pode ver aquilo que não há.

Os meus olhos pesam tanto...

Dás-me a mão, meu amor?




terça-feira, 3 de abril de 2007

Às vezes esqueço-me de te dizer como me fazes feliz...




Porque me libertas de prisões das quais eu não saberia sair sozinha.

Porque me fazes ter vontade de cantar quando o céu lá fora está cinzento e escuro.

Porque me fazes dançar ao ritmo harmonioso e quente das tuas palavras de carinho, ternura e amor.

Porque me roubas um sorriso grande mesmo quando há lágrimas teimosas que tentam escapar.

Porque todos os dias estás na minha vida. Porque todos os dias me deixas estar na tua vida. Porque fazemos parte da vida um do outro. Porque não há nada melhor do que essa partilha quando se ama.

Principalmente, porque és TU. E porque me deixas ser EU.

Porque me dás a mão.

Porque me fazes carícias.

Porque me salvas apenas por existires.

Porque sorris para mim quando me olhas.

Porque o mundo se mexe e cresce quando tu me abraças.

Porque, porque, porque...

Porque te amo.

Porque me fazes tão Feliz !!


sábado, 24 de fevereiro de 2007

? Palavras Erradas ?




Foi assim ontem à noite.

Procurar tirar o peso do mundo de cima dos teus ombros e encontrar em mim apenas e só palavras erradas. Não saber dizer-te as coisas realmente importantes. Não saber mostrar-te as imagens que nos fazem acreditar.

Foi assim ontem.

Querer desintegrar as tuas tristezas sólidas e colocar nas tuas mãos a certeza de um amanhã despido de sombras.

Mas só encontrei as palavras erradas. Só as erradas.

E fiquei aqui sentada, à tua espera amor, a interrogar-me quais seriam as palavras certas. E se eu as saberia dizer...



" This is the land of a thousand words

But it seems so few are worth the breath to say

Except I'll be looking after my own world

And you just keep on saving the day

I'll try to stay but it's in vain when you're far

I'm on the run to wherever you are "

(Land of a thousand words - Scissor Sisters)


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

... Um mês de coisas simples ...




Sorrisos feitos de chocolate e bolos comprados a horas tardias. A tua companhia tão presente como nunca me atrevi sequer a imaginar. Palavras ternas trocadas baixinho e guardadas pelo vento frio cúmplice do nosso abraço forte. Uma felicidade intensa traduzida no encontro dos nossos corpos. Desejo de ti. Olhares de carinho e de uma partilha única enquanto, de mão dada, viajamos até às estrelas. Aquelas que ficam mais longe do que todas as outras. A luminosidade quente da lareira a embalar-me na tua direcção e eu a olhar para ti e a descobrir o sol do meu mundo. O meu amor. O teu amor. O nosso amor. Obrigada. Como se estas coisas se pudessem agradecer. Lisboa, Coliseu, concerto. Realizar um sonho. E tu ali mesmo ao meu lado. Nevoeiro de carícias doces no percurso de volta. Muitas noites contigo. Pode lá haver coisa melhor. O som mágico das tuas gargalhadas e a imagem do teu sorriso sempre nos meus sonhos lindos. E os nossos beijos. Que mesmo depois de tanto tempo continuam a ser aqueles que só nós sabemos dar. Únicos. Loucos, mas cheios de doçura. Um mês de coisas simples mas de uma intensidade inimaginável. Como é gostar de ti. Sempre. ***

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

3 de Janeiro de 2007




A noite caiu rapidamente hoje. Sem espaço para sentir a dor de olhar para trás e ainda vislumbrar um rasto do último raio de luz.

E eu estou aqui sentada a escrever para ti. Mais uma vez a querer dizer-te como é bom que todos os dias me cures a alma e me faças adormecer no calor dos sorrisos que são nossos.

Sabes, houve um tempo em que não tinha a certeza se iria conseguir chegar aqui. A este ponto exacto do caminho em que nos encontramos. Agora sei que só fui capaz porque tu partilhaste comigo momentos de uma magia que só mais tarde consegui compreender.

Queria poder voltar atrás para ter acreditado sempre. Para ter tido a certeza sem medo. Para te ter abraçado com muito mais força naquela tarde em que te magoei tanto porque a minha própria dor era insuportável.

Já não posso fazer isso. Mas posso escrever-te aqui. Todos os dias. Abraçar-te com a paz que encontro nestas palavras que te dedico. E ir dançando feliz ao ritmo da doce loucura que é a tua presença na minha vida...

Se pudesse pedir-te alguma coisa agora que são 22h47m do dia 3 de Janeiro de 2007 pediria que não esqueças o brilho intenso que só tu tens o poder de despertar no meu olhar. Aquele brilhar forte que destrói medos e deixa ficar apenas esta menina que acredita que tu e ela podem ser a história mais linda do mundo.


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Não esqueces?...


quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Até amanhã...




Ontem dei por mim no escuro quente da minha cama a procurar a tua mão como quem anseia por um porto seguro.

Onde estás agora para que eu possa perder-me novamente de ti, só para voltar a ter o que encontrar?

Às vezes questiono-me se também conhecerás esta dor de querer muito regressar a um tempo que já não se sabe onde está. Que já não se sabe onde fica. Um tempo que nos foi roubado por coordenadas egoístas que o aprisionam num ponto para nós já indeterminado.

Já provaste essa angústia de não poder voltar ao indefinido que ficou para trás?

Não sei. Mas espera... Deixa-me dizer-te outra coisa.

Sabes que gosto de ti como de mais ninguém, não sabes?

E que era precisamente isso que as minhas mãos te iam dizer se tivessem encontrado a tua.

Ontem dei por mim no escuro quente do meu corpo a querer dizer-te coisas. Como estas. Sem importância. Só coisas pequeninas, amor.

Deixa. Fecha os olhos. Isso... Dorme tranquilo.
Até amanhã.



quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Já é hora de chegar





...

Já é hora de chegar. A tempestade de Verão há já muito que terminou mas ainda tenho o meu corpo molhado e sinto a humidade quente da chuva que se infiltrou em mim.

Porque agora é a hora certa para chegar. Para te mostrar o caminho para casa. Tenho a certeza que não nos devemos separar. Hoje a noite corre, como uma amante a rebentar de saudade, para a tua cama e sinto o tempo como arma apontada à cabeça.

És o crime mais espantoso do meu mundo. Encerras o mistério de tudo o que nunca pode ser deixado para trás.

Já é hora de chegar. E de assumir que fomos estranhos em alguns momentos ao longo da estrada. Talvez agora sejamos amantes fora do tempo...

Quando me beijaste naquele primeiro dia. Beijo louco. 10 anos passaram, não foi? 10 anos é apenas um mar imenso de segundos e minutos e horas num ondular sereno que nos trouxe até aqui. Beijo tatuagem. Morte suave e doce como um reconfortante retorno a casa.


Já é hora de chegar.


...

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

. . . . . . . Disarm You with a Smile . . . . . . .




Noite invernosa de descanso entrecortado por apressadas imagens doces. Ligeiramente líquidas. Vermelhas escuras... compota de cereja numa manhã feliz.

O tempo passou demasiado depressa. Estremeceu as muralhas construídas com os nossos sorrisos, mas não as desmoronou.
Atenuou algumas cores, acentuou outros tons.

Mas os sorrisos que já aconteceram não se desfiguram.
Ficam. Na forma de uma viagem que podemos sempre fazer. Um itinerário a percorrer.

Um dia hei-de dizer... Um dia já foi assim.

Um dia quase tudo já há-de ter sido assim.



quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Embalada pela Ausência




Houve um dia em que te escrevi uma carta.

Não só de palavras, mas daquelas outras cartas.

As que levam com elas pedaços do vento que já alguma vez nos afagou os cabelos, gotas de uma qualquer chuva que já tocou a nossa pele... melodias de encantar que nos fizeram perto apesar da distância.

Houve um dia em que te escrevi uma carta dessas.

Uma página cheia. A abarrotar de sorrisos assustadoramente felizes e de lágrimas tranquilas e tristes.

Lembro-me de querer que ela te dissesse tudo. Como se isso fosse possível... Mas às vezes eu sou assim. Às vezes ainda acredito.

Curioso... Nunca cheguei a entregar-ta. Trago-a sempre comigo, é certo. Mesmo quando estamos juntos ela continua comigo. Escondo-a. Não a vês. Mas está lá.

Quase todos os dias lhe acrescento algum pormenor. Mais um ângulo de luz, uma cor nova, aquela areia que trouxemos connosco da última vez...

E continuo a querer que ela te diga tudo.

Que nela eu própria seja o relevo das palavras para que me possas tactear. E compreender.

Só não sei como acabar de escrevê-la.

O fundo da página ficou em branco. Espaço vazio.

Não sei acabar de escrever esta carta...


sexta-feira, 11 de agosto de 2006

... Sabes? ...




Sabes, às vezes só te ouço a ti.

O som do teu olhar é tão forte que me esqueço de escutar tudo o resto.

As noites têm estado pesadas. Preguiçosamente estendidas sobre nós e auscultando as nossas respirações ofegantes de calor e de prazer.

Na verdade tem sido assim. Sem grandes planos ou projectos. Apenas temos acontecido.

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Apenas?... Às vezes não sei o que digo.

Temos acontecido. E isso pode ser tudo.