domingo, 5 de março de 2006

Desculpa.




Amo-te.
E mesmo que a minha boca não o diga, é tudo o resto em mim que o pronuncia.
As minhas mãos dizem-no de cada vez que voam delicadas em carícias doces no teu cabelo.
Os meus olhos gritam-no todas as vezes que pousam suavemente nos contornos de tudo o que és. Especialmente na curva do teu sorriso.
O meu corpo sente-o sempre que acontece a fusão explosiva e fatal das nossas peles e do nosso desejo.

DESCULPA.
Sei que é complicado.
MAS NÃO POSSO POUPAR-TE AO MEU AMOR.



"So stay with me
You look in my eyes and I'm screaming inside that I'm sorry"

(Forgive Me - Evanescence)


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Ritmo do meu desejo



Uma noite destas, enquanto acariciavas o meu cabelo com as tuas mãos (que às vezes ainda são minhas), disseste-me que eu era linda...

E fizeste a minha alma dançar ao ritmo do desejo frenético que tenho de ti.

E, subitamente, percebi que podemos sempre acreditar. Nem que seja apenas e só naquele momento. Naquele breve instante compassado pelo movimento dos nossos olhares em busca um do outro, pelos nossos gestos de entrega incondicional... Porque o resto do mundo cala-se. Todos os outros ritmos se silenciam para ficar apenas a melodia líquida de uma união que nos ultrapassa e não sabemos compreender.

Hoje apetecia-me tanto dançar outra vez contigo. Lembras-te quando dançávamos?...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Há já muito tempo...


...que a noite caíu. Mas hoje senti-a chegar, devagarinho, infiltrando-se em todos os espaços que vão de mim às coisas.

Há já muito tempo que tenho medo de abrir os olhos para não ter que ver o eco surdo das minhas palavras esbarrar nestas paredes frias. Um ecoar embriagado de saudade que embate, desajeitado, nas paredes que só são frias porque foste embora. Porque não estás aqui. Porque reflectem na escuridão a tua ausência.

Há já muito tempo que deixou de fazer sentido. Que as músicas se misturam e me chegam numa sonoridade estranha e que não sei reconhecer. Nada acontece. Porque as coisas não acontecem quando não as sentimos. De repente todas as paisagens se transformam e, esteja onde estiver, eu encontro-me sempre perdida.

Há já muito tempo que a noite caíu. Está mesmo aqui. Faz-se sentir. E hoje, mais do que nunca, bela e serena, estende-se até perder de vista...

domingo, 29 de janeiro de 2006

Consegues ouvir quando as minhas mãos chamam por ti?



O tempo tem passado muito depressa e faz-me confusão que tu não passes com ele. Porque já são tantas as noites em que não estás aqui. E mesmo assim parece ser só o tempo que continua a passar...

Não me importa mais que a luz não acenda. Esse não foi nunca obstáculo para que não me visses. Também não me importa que a noite seja fria. Porque me debato com o outro frio. Aquele que está dentro de mim e cruelmente se faz sentir, mas que insiste em não me abandonar. Talvez vingança do tempo em que lutei para te afastar...

É em momentos como este que as minhas mãos se apoderam de tudo o que sou. E escrevendo, chamam por ti. Gritam o teu nome em gestos desajeitados enquanto percorrem freneticamente as letras que vão preenchendo este espaço branco. Como se as pudesses ouvir assim. Como se toda a esperança terminasse no próximo ponto final... Como se toda a possibilidade acabasse exactamente aqui.


(Mas diz-me, consegues ouvir quando as minhas mãos chamam por ti?...)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

How many more times?



Hoje, cada vez que quero estar comigo, tenho que fazer um grande esforço para me encontrar. Estou muito longe e estou perdida no palco, no cenário, e no meio de um acto que fui eu própria que criei.

Mas acabo por me encontrar... Estou deitada na minha cama, com o olhar embaciado pela tua imagem, a desejar com todas as minhas forças que te lembres tanto de mim como eu de ti. Estou a desejar que tenhas mais saudades minhas do que de qualquer outra coisa.

Quero que penses na minha voz.
Quero que sintas o meu pensamento.
Quero que te lembres dos meus lábios e que, ao fechares os olhos, encontres a minha boca e a humidade quente dos meus beijos. E quero que sorrias com malícia por teres gostado...
Quero que penses em momentos nossos.
Nas palavras.
No prazer.
Nos sons.
No render...

Quero que te perguntes se as minhas pernas enlaçadas à volta do teu corpo são uma promessa de união momentânea ou se, às vezes, somos um rio e um mar...

És a minha maior sorte. És o meu maior azar. "...Cause you know sometimes words have two meanings..."

domingo, 8 de janeiro de 2006



Esta noite estrangulei o medo que tenho de te ver ir embora.

Melhor dizendo, foi o medo que tenho de te ver ir embora que me estrangulou a mim.

Devagarinho, roubou-me o ar e a serenidade infantil e quase inconsciente de ir respirando.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

La Nuit



Quero outra vez as noites de antes. Quero outra vez a escuridão incontornável da entrega e do abandono.

Lembras-te de como era? Antes... Há muito tempo... Lembras-te de como nunca mais vai poder voltar a ser? A noite foi sempre a nossa única companheira, não foi? Nós e a ausência de luz... eternos cúmplices e confidentes.

Consegues recordar o universo de afectos que preenchia o espaço entre nós? Eu fecho os olhos. E sei que estou aqui. Mas a noite vem sempre segredar-me ao ouvido murmúrios do passado que às vezes não sei entender...

Alguma vez te agradeci a raiva que acordaste em mim? Quebraste o encanto sem cuidado, sem beleza. Foi feia a forma como o fizeste. Mas eu voltei a sentir.


"Si je t'oublie pendant le jour
Je passe mes nuits à te maudire
Et quand la lune se retire
J'ai l'âme vide et le coeur lourd"

(La Nuit-Adamo)



sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Hoje



Hoje cheguei a casa zangada com a vida por não me apresentar mais caminhos. Mais alternativas.

Hoje questionei tudo. Duvidei de tudo. Tive todas as certezas. E nenhuma.

Hoje senti-me nua e exposta e frágil, mesmo trazendo vestido o sorriso que alguns viram.

Hoje chorei muito. Como se a alma se pudesse curar assim.

Hoje quis dizer-te tudo e acabei, mais uma vez, por não te dizer quase nada, sufocada no meu próprio silêncio pesado e tonto de tristeza...


"I was the one that made you happy
I was the one that eased the pain
But I'm the reason that you're crying now
My own tears scattered by the rain"

(Sacrifice - Anouk)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Momentos



Muitas vezes, enquanto a vida continua a acontecer à nossa volta, não temos outra escolha para além de nos deixarmos ser solitários. Penso nisso agora, num momento raro em que te diria tudo o que digo a mim mesma.

Tantas foram as vezes em que vim embora. Sempre sem saber se continuavas a gostar de mim, mesmo quando já não eras capaz de me ver. Mesmo quando parecia que os nossos mundos estavam demasiado afastados.

O frio está insuportável. Obriga-nos a fechar ainda mais qualquer coisa indefinida que existe dentro de nós. Por isso vim aqui. Para tentar ficar mais perto. Porque o desejo de ti também é insuportável. Faz o abraço que tenho guardado para nós parecer absurdamente diferente de todos os outros. Não apenas um enlaçar dos nossos corpos apertados um no outro, mas qualquer coisa mais. Um instante de transcendência, se é que me é permitida tal presunção... uma essência que fique no meio da raiva e do amor que te tenho.

O frio está insuportável. Mas continuo, inabalável, a alimentar os meus afectos tolos...

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Dualidades...



Hoje escrevo-te com esta estranha sensação de estar a viver num presente eterno.

Eterno por durar há já tanto tempo.
Eterno por ser já tão conhecido.
Eterno por ser, mesmo assim, ainda tão imprevisível...

Hoje escrevo-te perfeitamente consciente da violência das escolhas que têm que ser feitas. Porque sei que toda a escolha é uma renúncia. Toda a decisão é o recusar definitivo de qualquer outra possibilidade.

Hoje escrevo-te, mais uma vez...
Talvez porque hoje eu já saiba que toda a posse implica um renunciar aos objectos que não possuímos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005


Porque é que continuas a prometer-me aquilo que nunca me poderás dar?
E porque é que me deste aquilo que nunca ninguém me tinha prometido?

A saudade que hoje sinto de ti assemelha-se a uma melodia quente, líquida e muito distante. Obrigavas-me sempre a ver o luar, mesmo quando eu não queria...


"And I can't sleep
I need to tell you
Goodnight"
(Evanescence-You)



domingo, 13 de novembro de 2005

And if I say to you tomorrow...


A chuva é torrencial. Parece que faz o mundo crescer. E ele cresce como a dúvida que me assalta neste momento: para sempre ou nunca mais?

O ruído dos teus abraços sufoca-me. Interrogo-me. Questiono tudo. Pergunto porquê. Verifico. Não encontro soluções. Muitas hipóteses. Ainda mais consequências. Canso-me de pensar. Na rapidez de um segundo desisto. De tudo. Recordo. Todas as vozes me irritaram hoje. Todas. Sem nenhuma excepção. Será esta a conclusão mais aterradora desta noite?

Atiro a máscara para o chão. Sinceramente, há muito tempo que sei que já não vale a pena. Não vale a pena usá-la se não consegue esconder os sorrisos que te amam.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Por engano...



Deixamo-nos enganar pelos nossos afectos enquanto lá fora o mundo morre. Todos os instantes nos deixamos envenenar suavemente, sugando a liquidez dos dias e das noites que se sucedem sem sentido.

Entusiasmamo-nos ingenuamente com a nossa realidade, porque nos esquecemos sempre que nada da nossa realidade é real para os outros.

E depois caímos nessa noite terrível, cheia de estrelas que não brilham, cheia de um silêncio ensurdecedor, cheia de um luar negro, pesado e frio.

Esquecemo-nos frequentemente de viver, e vamos existindo calma e passivamente numa constante sátira de nós mesmos...

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Apetecia-me...



...sair daqui. Cortar a estrada. Assimilar o sangue do sol e contigo construir um novo conceito que quebrasse as barreiras do pensamento.

Queria dar vida ao lado mais escuro da lua e ver-te sorrir na cara do tempo. Queria que me levasses a ver o mar e que deixasses o vento transportar a minha alma para dentro de ti.

Deixarias na areia húmida as marcas de uma presença que facilmente seriam levadas pela água, mas que nem por isso deixaria de ter sido real. Uma presença nossa, indefinível no tempo e no espaço, mas forte como a onda que bate na praia com a fúria de um condenado preso à eternidade.

Por hoje nada mais. Desculpa.

A noite disse-me que tenho no olhar a promessa de um beijo que não tarda...

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Quero dizer-te porquê


Quero dizer-te só mais uma coisa. O porquê destas "conversas".

Não te escrevo só porque isso me faz sentir bem. Não te escrevo só porque gosto muito de ti.

Escrevo-te, também, para que continue a existir alguma coisa que nos una e nos aproxime.

Não quero que "nós os dois" seja igual a nada. É mais fácil morrer de nada do que de dor. Contra a dor podemos revoltar-nos, contra o nada não. Por isso prefiro que continuemos a ser alguma coisa. Os dois juntos. Uma breve recordação. Uma história por acabar. Mas alguma coisa...

domingo, 16 de outubro de 2005

Wasted Time


"I remember what you told me before you went out on your own:
Sometimes to keep it together we got to leave it alone.
So you can get on with your search, baby,
And I can get on with mine,
And maybe someday we will find
That it wasn't really wasted time."

(Eagles- Wasted Time)


segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Carícias




Hoje, ao acariciar a tua pele, fui a espuma branca da onda que quebra numa vertigem de prazer.

Mas calei essa minha viagem interior.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Desejo


E apenas ao pensar nessa imagem, imaginar os gestos que fazes para levar o cigarro aos lábios, tentar descobrir qual a temperatura da tua pele neste momento, sou invadida por um desejo primário de ti. Quero-te!...

Quero conhecer o sangue que corre em ti, quero saber de cor cada canto do teu corpo, quero poder morrer na tua boca para poder renascer no teu olhar. Quero que as tuas mãos moldem o meu corpo e lhe dêem uma nova forma e quero sentir a paixão e o desejo na ponta dos teus dedos.
Quero amar-te com tudo o que é matéria e com tudo o que é espírito em mim.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Noites Velhas



Noites mornas e ternas.
Deu-se absolutamente tudo o que havia para dar.
Não ficou nada por dizer.
Excepto o que nasceu depois.
Muitas noites sem rumo, muitos gritos da alma que se afundavam na realidade que não podíamos nem sabíamos mais combater.
Noites em que nos perdíamos e nos reencontrávamos vezes sem conta.
Só porque era bom.
Só porque era muito difícil ficar sempre.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Não quero que o quarto seja este quando eu disser as palavras que até hoje ainda ninguém ouviu.

Não quero que sejam estes os lençóis. Devem ser outros, de outra cor.

A luz não pode ser tão forte. Tem que ser mais suave para não sufocar a verdade.

Não quero que o quarto seja assim. Porque nesse instante não pode existir mais nada para além dele.

Quando eu disser as palavras que nunca disse...

Os lençóis onde eu estiver deitada devem confundir-se comigo. Misturar-se. Diluir-se em mim. Para formar uma essência que se dê a conhecer apenas nesse breve momento e que logo depois se dissolva, para nunca mais existir...